Mundinho Perfeito

No meu mundinho perfeito, ninguém é obrigado a viver sem perspectivas de futuro.

Não existem pobres ou ricos, todos escolhem a profissão por dom, amor, aptidão, e há vagas para todos e salários que permitam uma vida digna.

Não existe intolerância.

Não existe preconceito.

Não existe corrupção.

Não existe consumismo. Existe consumo, daquilo que é necessário, mas não consumismo.

Não existe passar fome. A não ser que seja uma dieta muito louca para entrar naquela roupa especial.

Não existe padrão de beleza. Belo é todo aquele que vive em harmonia.

Não existe jogar o lixo fora, porque todos sabem que não existe “fora”.

Não existe poluição.

Não existe egoísmo.

Não existem guerras.

O meu mundinho perfeito luta muito para existir, mas somente na minha cabeça;

Porque, na realidade,

O meu mundinho perfeito, não existe.

Obs.: texto do mês de agosto. Tinha um lembrete com os temas dos posts dos meses, mas este eu não fazia ideia do que se tratava :p

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American Way of Life ou Espelho Europeu?

Agosto

Dizem que o Brasil costuma copiar muito o modo de vida dos Estados Unidos. Será mesmo?

Sempre ouvi dizer que os norte-americanos compram demais, desperdiçam demais, comem fast food demais, gastam demais. O único ponto positivo é seu lado empreendedor, de sempre mostrar e valorizar o melhor que possuem, ocultando as partes ruins. Isso se parece mesmo com o Brasil?

Por outro lado, crescemos ouvindo histórias de príncipes e princesas em aventuras em castelos. A moda é ditada pelas passarelas de Milão ou Paris. Os filmes mais românticos sempre se passam em Veneza ou Paris. As reportagens sobre cidades com arquitetura linda, história da civilização (ok, história é história, é como é), dietas de pessoas saudáveis e longevas, são sempre sobre o Norte europeu, ou Grécia, ou arredores do mediterrâneo.

Este é o desejo da maioria dos brasileiros, mudar-se para a Europa. A mídia prega sempre que lá é melhor que aqui, e esse tipo de pensamento com certeza jamais passaria pela cabeça de um estadunidense.

Qualquer lugar do mundo tem seus pontos positivos e negativos, e nenhum é melhor que o outro (exceto naquela zona dos “stãos” que vivem em guerra desde sempre, mas isto é outra história).

Acredito que o modo de pensar é que deveríamos copiar dos norte-americanos: valorizar o que temos de melhor e trabalhar para transformar o que é ruim no melhor possível, e não passar a vida sonhando e desejando mudar-se para a Europa, falando do mal e do pior do Brasil, esquecendo que quem faz um país são os seus habitantes.

Se todos despertassem a responsabilidade própria sobre as diversas situações, além do senso de coletividade, com certeza teríamos uma qualidade de vida com níveis europeus, desfrutando de todos os recursos naturais, personalidade e diversidade do povo brasileiro.

Medo

Julho (Sim, ainda dos posts atrasados. Uma das promessas de ano novo é atualizar e manter atualizado o blog).

De onde vem o medo?

A definição da wikipédia para medo é:

“O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. É também uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir.”

A exceção dos medos primitivos, como o medo de animais peçonhentos, grandes predadores ou transmissores de doenças, o medo é “uma reação a algum estímulo físico ou mental”. Hoje, a sociedade é estimulada a viver com medo.

Ligamos a televisão, e temos notícias de violência em diversas proporções, de desastres naturais, de terrorismo… Ficamos com medo de sair à rua, de viver.

Mas, o que torna uma rua perigosa, esquisita? Não é justamente a ausência de pessoas “de bem”, cuja presença poderia intimidar a ação dos bandidos? Se ao soubermos que houve um assalto em determinado local e evitamos passar por lá, vamos facilitar a ação dos bandidos contra as pessoas que necessitam passar por lá.

Num local sujeito a intempéries, podemos nos preparar para elas, com construções resistentes a terremotos, com planejamento adequado contra enchentes e secas, e tantas outras medidas cuja tecnologia humana já domina.

E quanto aos terroristas, bem, a meu ver são somente perturbados mentais que sentem prazer no caos, uma possível solução seria não lhes dar atenção e nem poder, quem sabe talvez eles parem, como crianças mimadas?

A questão é que não podemos nos deixar dominar pelo medo. Já passou e muito da hora de reagirmos contra as diversas formas de violência a que somos submetidos, e não só as citadas acima, mas também as ameaças de falta de emprego, de fim dos recursos naturais, de epidemias de doenças graves, entre tantas outras.

Não podemos ter medo de viver, é hora de lutar para conviver somente com os medos primitivos.

A Diferença Entre Ficção e Realidade

Junho

A minha série preferida chama-se Once Upon a Time, e é sobre os personagens dos contos de fadas vivendo no nosso mundo. Pois bem, a Branca de Neve começou a namorar com o Príncipe Encantado e tiveram um filho, na vida real, e a série entrou em longas férias de licença maternidade. E eu continuava em férias forçadas. Procurei outra série para assistir, e me encantei por Reign, série histórica sobre a rainha Mary, da Escócia.

Reign fala das dificuldades que a jovem Mary encontra para se firmar na sociedade francesa (pois ela casou-se com o príncipe da França), tendo de “lutar” contra a rainha da França, que era contra o casamento por conta de uma profecia; contra as pessoas que tentavam tomar o trono da Escócia; escolher entre seu amor pelo príncipe e o amor e compromisso com seu reino; as amantes e ex-namoradas do futuro marido; as maluquices das amigas, etc.

E qual a diferença entre a vida da rainha Mary e os contos de OUAT?

Nenhuma.

Claro que tem todo um toque poético na história da menina para tornar a série mais atrativa, mas ainda assim, é muito semelhante as histórias de princesas dos contos de fadas. E assim, quem pode dizer que os contos de fadas não foram inspirados em histórias reais?

Ainda em Reign, pode-se observar claramente que só se consegue fazer parte da classe rica da sociedade a partir de contatos influentes. E, novamente, qual a diferença entre a sociedade francesa do século XVI, e a sociedade contemporânea?

E ainda há quem diga que eu sonho demais com contos de fadas…

Tell me that you’ll open your eyes

Maio

Meu primeiro contato com a vida profissional foi na empresa Júnior. A princípio era quase como uma brincadeira, mais uma atividade para o currículo acadêmico. Fui me envolvendo, gostando, aprendendo, assumindo responsabilidades… Hoje percebo que foi das experiências mais enriquecedoras da minha formação, a começar pela música tema do nosso primeiro vídeo motivacional:

Sim, este mês, após não ser aprovada no concurso da EPE e ser prejudicada pela falta de organização do processo seletivo da Falconi, finalmente enxerguei a realidade da vida profissional.

Passamos anos completamente dedicados aos estudos, chega a ser a vida inteira se considerarmos que entramos na escola aos 3 e saímos da faculdade por volta dos 24 anos. Tudo isto acreditando que “seremos alguém” na vida, que poderemos ter um bom trabalho, do qual gostemos e que seja bem remunerado, somente através dos conhecimentos adquiridos.

Não é mentira, mas também não é verdade.

Não é mentira pelo fato de podermos sempre participar de um concurso público. Estudar horas a fio, na maioria dos casos decorar coisas desnecessárias (tais como leis e mais leis) e ainda ter sorte, pois acontece de cair questões sobre um conteúdo nunca visto, e que estava implícito no edital. Pode-se ainda continuar na universidade, fazer mestrado, doutorado, aprofundar o conhecimento sobre determinado tema, quem sabe até fazer uma descoberta científica. Por fim, em nosso país, pode-se ser professor pesquisador numa universidade, não sem antes passar por um concurso público.

Não é verdade, se a palavra conhecimentos se restringir aos conceitos técnicos e científicos. Ao terminar uma graduação, acredita-se que basta entregar um currículo com diversas atividades bem realizadas, mostrando todo o conteúdo adquirido ao longo do curso, e será aceite na empresa que desejar. Grande engano! Se não há QI (quem indique) na empresa, muitas vezes nem leem os currículos. Se chegam a ler, exigem experiência, a qual dificilmente consegue ser adquirida numa graduação em tempo integral, na qual os horários de aulas não permitem exercer qualquer outra atividade que não seja a dedicação exclusiva à universidade, em seus inúmeros grupos e projetos de pesquisa nos intervalos das aulas.

Alguns tem a sorte de conseguir o tal QI dentro do estágio obrigatório. Mas as vezes até mesmo o estágio depende de QI, o que torna a coisa toda um círculo fechado. Nada muito diferente da segregação social em classes, como aprendemos que era na antiguidade, mas na prática observamos GRANDES resquícios dessa divisão.

O que resta para quem chega até este ponto? Desistir da profissão sonhada e torcer para ser aceite no setor de comércio, ou correr atrás do prejuízo através dos programas de trainee das empresas de “mente aberta”, ou ainda rezar a espera de um milagre, de que falte gente com QI e eles possam analisar os currículos com honestidade e avaliar a meritocracia.

Agora consigo compreender o porquê de tantas pessoas interesseiras na universidade. E fico ainda mais triste em perceber que, num país de tanto potencial, a forma mais fácil de conquistar um espaço no mercado de trabalho é por “puxa-saquismo”, ao invés de reconhecimento e mérito.

Making the Dreams Come True

Finalmente chegou o tão esperado mês de abril. A prova para a qual estudei com a minha vida, e os momentos mágicos tão imaginados com meu coração.

O início da viagem foi conturbado (como sempre, porque com meu pai não existe planejamento), mas no fim tudo deu certo.

O aeroporto do Rio estava ainda pior do que me lembrava na minha escala de milhões de horas, cheio de reformas, mas rever a PaniLinda foi sensacional! Era como se nunca tivessemos nos separado (exceto pelos cabelos mais compridos).

Demoramos a vida para chegar à casa7, no começo fui tirando fotos do RJ, como sempre, mas acabeu dormindo, o que ela achou uma façanha dado o barulho e balanço ônibus. Mal sabe ela que é igualzinho a um UFAL – Ipioca…

Chegamos à casa7, a mim pareceu um pequeno castelo urbano, por causa da cor e algumas pedras e o jardim na frente, mas Pani tirou o charme da coisa a dizer que era cor de reformas eternas :p Mesmo assim amei! A família7 é muito amável, seus pais parecem mais nossos primos do que pais da amiga, provavelmente por serem jovens e fofos! Com o irmão e tias não falei muito, mas também foram bastante receptivos. Só o Big que não foi muito com minha cara a princípio, mas depois nos entendemos.

A prova foi traumática, como esperado, mas depois aproveitamos bem os dias de folga pelo Rio de Janeiro. No fim das contas não gostei da cidade, só é bonito o que é turístico, e tem muita gente, muita bagunça, muita confusão. De boas impressões só ficaram a paisagem e a família7. Decididamente, não sou de metrópoles.

Porém, consegui voltar ilesa, não fomos assaltadas nem furtadas, então temos de comemorar!

Na volta, já comecei a planejar a mala para os dias Jorge! De modo que tudo ficou pronto pelo menos dois dias antes da viagem. E a viagem não foi nada esperado, na antevéspera foi a despedida da Laís, e fiquei na piscina até mais tarde do que deveria, resultando em uma crise de garganta e espirros. Passei a viagem INTEIRA, 7H de espirros. Cheguei a Lisboa acabada.

Mas Lisboa era a mesma de sempre. Cheguei ao aeroporto como se tivesse em casa, ainda tinha um cartão Viva Viagem válido (economizando assim 50 centimos), peguei o metro com a maior vontade de ir para a Casa dos Primos e me jogar na minha cama quentinha. Mas a minha mala grande me fazia lembrar que a Casa dos Primos agora era só o apartamento da Dona Delmina. O metro com cheiros de Darlan e Jose me faziam ter saudades imensas. Mas o cansaço de não ter dormido nem me deixou dar muito por isso, a minha vontade era ir direto para o Jorge… Mas sabia que tínhamos horas combinadas, então me forcei a ir passear por Lisboa, rever os locais preferidos. Não tive disposição para ir a todos, mas foi como se nunca tivesse saído de lá. Colombo, Baixa, Bairro Alto, Restauradores… tudo parte de um passado tão presente.

Peguei o metro e fui para Sete Rios. Peguei minha mala e parti ao encontro do meu coração. A viagem parecia diferente, e percebi que era porque nunca tinha sentado na frente, e mais tarde porque peguei uma época rara de campos alentejanos verdes.

Cheguei à Évora, e meu Jorge não estava. Foram os 10 minutos mais longos da minha vida inteira! Mas quando ele chegou, parecia um sonho se realizando… e era mesmo!

Não exatamente como imaginei, eu estava cansada e doente, mas estava novamente com o meu lindo! Fomos para casa, e tivemos verdadeiros dias de casal. Perfeitos.

A volta foi menos difícil do que imaginei, porque estávamos ainda mais certos de nosso futuro.

A única dificuldade foi passar 1h entre a fila do detector de metais e controle de passaporte, chegando à porta de embarque 10min depois do previsto. Por sorte, eles marcam para meia hora antes do horário real. Também não consegui dormir na volta, turbulência. Além disso, no caminho de Recife a Maceió, tinha um cavalo na pista… não houve feridos além do carro, mas já me deixou decidida por fazer uma rota que termine no aeroporto de Maceió.

Só o que não gostei foi a insistência e pressão das amigas por saber detalhes e mais detalhes da viagem. Jorge é extremamente reservado, e conhecendo-o melhor pude descobrir suas razões, e tenho mantido bem a discrição em nosso relacionamento. Sem contar que já aprendi que quando uma coisa vai bem, é melhor deixa-la em segredo, porque muito acontece para fazê-la ficar mal. Então, só contei detalhes para as amigas mais próximas mesmo mesmo, e espero que nenhuma tenha ficado ofendida por não saber minunciosamente cada parte do nosso dia, porque, sinceramente, percebi que isso só pertence a nós dois.

Luto

Ao pensar sobre o que escreveria para o mês de março, tive momentos de nada, porque realmente neste mês não fiz nada além de estudar para o concurso e planejar viagens.

Decidi escrever sobre um tema qualquer, mas lembrei que em março estava de luto pela perda das minhas gatinhas. E pensar em escrever sobre elas trouxe de volta muitos fantasmas…

Sâmea, Nata, Bolinha, Sushi, Amy, Lu. Hoje, só tenho a Lu.

Suíno, Preto, Bia, Monstrenga, Filho, Dó da Selva, Ane. Estão comigo Filhinho e Dó.

Já tive alguns bichinhos, algumas mortes, mas as mais dolorosas foram as violentas. Vivo preocupada pelos meus bichinhos.

E só tenho uma coisa a dizer:

“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.” (Mahatma Gandhi)

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