Eu Achismos

Março

Eu acho que as pessoas deveriam reclamar menos e fazer mais. Reclamar menos dos políticos, fazer mais pela punição dos corruptos, puni-los diretamente nas urnas.

Acho que o aborto deveria ser legalizado. Sou contra o aborto, mas a favor da legalização. Sou a favor da vida; o corpo só é fértil cerca de uma semana por mês, se houve geração de vida é porque tinha de ser. Se não quiser o bebê, deixe para adoção. Mas este é o MEU pensamento, que tenho estrutura para situações adversas. Quem sou eu para julgar uma mulher que não teve nada na vida além de sofrimento? Porque em vez de taxa-la de criminosa, através da lei, não vou lá e lhe forneço auxílio para o bebê? Acredito que se uma mulher opta por um aborto, ela tem inúmeros motivos para isto que já vão lhe pesar muito na consciência, e ela não precisa de uma lei que a rotule de criminosa por isto.

Aliás, acho que caso a mulher decida por aborto em caso de estupro, o estuprador é que deveria ser condenado por homicídio. Além do abandono de incapaz.

Acho errado inseminação artificial. Se não pode gerar filhos, é porque também não era pra ser. Ou porque não tem estrutura para isto -seja amor, seja psicológica-, ou porque tem um coração tão grande que pode gerar um filho dele, e adotar uma criança que foi gerada em outro ventre.

Acho que internet deveria ser um serviço totalmente abrangente e de qualidade. Tipo, a pessoa paga uma taxa pequena por mês, e acessa nos seus dispositivos inserindo cpf ou identidade, por exemplo.

Acho que a matemática do ganho de peso deveria ser menos cruel. Dar uma folga aos fins de semana, pelo menos.

Acho que cada um devia cuidar da sua vida. Que importância tem o meu cabelo, a minha roupa, a minha opção sexual na sua vida? Pois pronto, cuide da sua.

Cansei de achar.

Sobre o Pensamento

fevereiro.

Em “A maçã no Escuro”, Clarice Lispector fala a respeito do pensamento. Na verdade, o livro todo se passa basicamente dentro da cabeça do personagem principal. Já o li a alguns anos, foi pesado e cansativo, mas uma ideia me marcou profundamente: o pensamento é como um labirinto, e pensar demais pode submergir uma pessoa; pode-se cair num precipício dentro da própria mente, do qual a saída é extremamente difícil de encontrar.

E o que acontece quando se faz diversos planos, e nada se concretiza? Quando se toma um choque de realidade, e percebe-se que tudo que aprendeu e acreditou durante a vida, simplesmente não era bem como foi dito? Normalmente, a atitude é parar e refletir: onde está o erro? Qual o caminho a seguir?

Mas, o que acontece quando não se encontra respostas para estas perguntas?

Ainda bem que Clarice já havia alertado, deve ter salvo muita gente do manicômio. Estar perdido quanto ao rumo da vida e nos próprios pensamentos, não é nada mais do que simplesmente estar perdido.

E quando se está perdido, o mais simples é pedir ajuda. Voltar para o lugar onde estava “achado”. Ler o mapa que diz “você está aqui”. Ligar o GPS. Lembrando que o GPS da vida é Deus, é a fé, independente do nome que você dá a Deus.

E pedir ajuda, voltar, etc. não são nada mais que pequenas atitudes. Para se encontrar, é preciso sair da divagação e começar a agir, um passo de cada vez em direção ao “se encontrar”.

Como já dizia Martin Luther King: “Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.”

Até para mudar de caminho é preciso dar um passo, só que numa direção diferente. Portanto, não precisa parar de pensar, apenas continue andando enquanto pensa.

Je ne suis pas Charlie*

Je ne suis pas Nigéria. Je ne suis pas Síria. Je ne suis pas África, Rússia, Ucrânia… Je suis Maceió, je suis Brasil.

Por que tanta comoção internacional com um atentado na França?

-Ah, foi um atentado à liberdade de expressão, não se pode atacar jornalistas por dizerem o que pensam.

Mas sua liberdade não começa quando termina o direito do outro? Onde fica o direito dos muçulmanos de ter a sua fé respeitada? Onde fica o direito dos muçulmanos pacíficos, que embora se sentissem ofendidos, não são representados por aqueles fanáticos violentos que mataram os jornalistas?

Mais importante: onde está a sua comoção por aqueles jovens que morrem nas drogas, na periferia da sua cidade? Onde está a sua comoção contra os políticos que roubam o dinheiro que você trabalhou tanto para ganhar? Dinheiro este que você pagou em impostos para serem aplicados na melhoria da sua qualidade de vida, e que estão indo para a “qualidade” de vida destes ladrões?

Onde está a sua comoção que não chama atenção do colega que está falsificando carteira de estudante, furando fila no RU, recebendo bolsas indevidamente, furtando material do escritório?

O mundo seria um lugar bem melhor se antes de chorarmos pelas pessoas distantes, pelas quais é muito fácil chorar já que estão fora do nosso alcance de agir, olhássemos para quem está próximo. Que este choro se convertesse em ação, que lavasse para longe o nosso egoísmo.

Assim, todos estariam tão ocupados tornando a sua vizinhança um lugar melhor, que não haveria espaço para guerrear com quem simplesmente tem uma religião diferente da sua, ou roupa, ou opção sexual, ou cor de pele, ou nacionalidade…

*texto referente ao mês de janeiro.

Nem Bom, Nem Mau

Outubro

Em época de eleições, o Brasil mostrou seu pior lado. Eduardo, O candidato que parecia ser o mais promissor morreu numa situação adversa (ninguém sabe se de morte morrida ou matada).

Foi substituído por Marina, uma candidata também promissora, mas que queria agradar a todos, o que acabou passando uma imagem de volúvel e indecisa, afastando muitos de seus eleitores. Havia outros bons candidatos, como Dudu Jorge e Luciana, mas o segundo turno acabou retratando a (falta de) consciência política da maior parte da população.

As redes sociais tornaram-se palco de baixarias. O país aparentemente se dividiu entre os dois candidatos, e as pessoas defendiam um ou outro em debates ofensivos a seus (anteriormente) “amigos”. Era a prova real do baixo nível destas pessoas.

Já não se podia demonstrar o voto por um ou por outro, nem mesmo a neutralidade, sem receber críticas ou ofensas. Tolos.

Não repararam eles que:

Não é o presidente que manda no Brasil. Se o presidente toma decisões, ele precisa do apoio do senado, e pouquíssimos foram aqueles que se importaram em pesquisar a vida de seus candidatos a senador, deputados e governador.

Os dois candidatos eram, mesmo que política e pessoalmente opostos, farinha do mesmo saco. Ambos almejavam apenas o poder, embora um utilizava-se da estratégia do populismo, enquanto outro do apoio dos ricos, os que já dominam o poder. No fim das contas, não são bons nem maus, são igualmente egoístas.

A solução que eu vejo para o Brasil é da população se decidir entre ser “bom” ou “mau”. O que, aliás, nem é uma colocação adequada, pois todo mundo tem em si um pouco de bondade e um pouco de maldade.

Colocando melhor, a população precisa começar a ter responsabilidade sobre aquilo que acontece ao seu redor. Se o bairro está cheio de lixo, normalmente não é porque a prefeitura não fez a coleta, mas sim porque VOCÊ o jogou lá. Se o rio está poluído, não foi o vereador que fez ligação clandestina de esgoto… Se os brinquedos da pracinha estão quebrados, não foi falta de educação do filho do prefeito que foi até lá depredá-los… Não são os políticos que fraudam meia entrada no cinema, furam filas, enganam no troco, enganam nas bombas de combustível, fazem “gatos” de água, energia, tv a cabo… É VOCÊ. É preciso assumir a responsabilidade e assumir: o problema SOU EU.

Sob outro aspecto, suponhamos que apenas os políticos de uma nação são “maus”, e todas as outras pessoas são “boas”. Daí ele pretende construir uma creche no bairro, mas quer usar os materiais mais baratos e prestar contas de que usou os mais caros, embolsando a diferença e dando parte a quem participou do esquema. Sendo a construtora honesta, iria realizar esta obra? Sendo o órgão fiscalizador honesto, iria aprovar esta creche quando estivesse pronta? E a população, iria aceitar esta creche mal feita? A resposta é não. O mau político ficaria de mãos atadas, seria obrigado a fazer o que é correto. Eis aí uma solução simples.

Mas o povo continua mais preocupado com o próximo capítulo da novela das 21h, e em quem vai lhe pagar mais pelo voto na próxima eleição.

Como disse Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Mundinho Perfeito

No meu mundinho perfeito, ninguém é obrigado a viver sem perspectivas de futuro.

Não existem pobres ou ricos, todos escolhem a profissão por dom, amor, aptidão, e há vagas para todos e salários que permitam uma vida digna.

Não existe intolerância.

Não existe preconceito.

Não existe corrupção.

Não existe consumismo. Existe consumo, daquilo que é necessário, mas não consumismo.

Não existe passar fome. A não ser que seja uma dieta muito louca para entrar naquela roupa especial.

Não existe padrão de beleza. Belo é todo aquele que vive em harmonia.

Não existe jogar o lixo fora, porque todos sabem que não existe “fora”.

Não existe poluição.

Não existe egoísmo.

Não existem guerras.

O meu mundinho perfeito luta muito para existir, mas somente na minha cabeça;

Porque, na realidade,

O meu mundinho perfeito, não existe.

Obs.: texto do mês de agosto. Tinha um lembrete com os temas dos posts dos meses, mas este eu não fazia ideia do que se tratava :p

American Way of Life ou Espelho Europeu?

Agosto

Dizem que o Brasil costuma copiar muito o modo de vida dos Estados Unidos. Será mesmo?

Sempre ouvi dizer que os norte-americanos compram demais, desperdiçam demais, comem fast food demais, gastam demais. O único ponto positivo é seu lado empreendedor, de sempre mostrar e valorizar o melhor que possuem, ocultando as partes ruins. Isso se parece mesmo com o Brasil?

Por outro lado, crescemos ouvindo histórias de príncipes e princesas em aventuras em castelos. A moda é ditada pelas passarelas de Milão ou Paris. Os filmes mais românticos sempre se passam em Veneza ou Paris. As reportagens sobre cidades com arquitetura linda, história da civilização (ok, história é história, é como é), dietas de pessoas saudáveis e longevas, são sempre sobre o Norte europeu, ou Grécia, ou arredores do mediterrâneo.

Este é o desejo da maioria dos brasileiros, mudar-se para a Europa. A mídia prega sempre que lá é melhor que aqui, e esse tipo de pensamento com certeza jamais passaria pela cabeça de um estadunidense.

Qualquer lugar do mundo tem seus pontos positivos e negativos, e nenhum é melhor que o outro (exceto naquela zona dos “stãos” que vivem em guerra desde sempre, mas isto é outra história).

Acredito que o modo de pensar é que deveríamos copiar dos norte-americanos: valorizar o que temos de melhor e trabalhar para transformar o que é ruim no melhor possível, e não passar a vida sonhando e desejando mudar-se para a Europa, falando do mal e do pior do Brasil, esquecendo que quem faz um país são os seus habitantes.

Se todos despertassem a responsabilidade própria sobre as diversas situações, além do senso de coletividade, com certeza teríamos uma qualidade de vida com níveis europeus, desfrutando de todos os recursos naturais, personalidade e diversidade do povo brasileiro.

Medo

Julho (Sim, ainda dos posts atrasados. Uma das promessas de ano novo é atualizar e manter atualizado o blog).

De onde vem o medo?

A definição da wikipédia para medo é:

“O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. É também uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir.”

A exceção dos medos primitivos, como o medo de animais peçonhentos, grandes predadores ou transmissores de doenças, o medo é “uma reação a algum estímulo físico ou mental”. Hoje, a sociedade é estimulada a viver com medo.

Ligamos a televisão, e temos notícias de violência em diversas proporções, de desastres naturais, de terrorismo… Ficamos com medo de sair à rua, de viver.

Mas, o que torna uma rua perigosa, esquisita? Não é justamente a ausência de pessoas “de bem”, cuja presença poderia intimidar a ação dos bandidos? Se ao soubermos que houve um assalto em determinado local e evitamos passar por lá, vamos facilitar a ação dos bandidos contra as pessoas que necessitam passar por lá.

Num local sujeito a intempéries, podemos nos preparar para elas, com construções resistentes a terremotos, com planejamento adequado contra enchentes e secas, e tantas outras medidas cuja tecnologia humana já domina.

E quanto aos terroristas, bem, a meu ver são somente perturbados mentais que sentem prazer no caos, uma possível solução seria não lhes dar atenção e nem poder, quem sabe talvez eles parem, como crianças mimadas?

A questão é que não podemos nos deixar dominar pelo medo. Já passou e muito da hora de reagirmos contra as diversas formas de violência a que somos submetidos, e não só as citadas acima, mas também as ameaças de falta de emprego, de fim dos recursos naturais, de epidemias de doenças graves, entre tantas outras.

Não podemos ter medo de viver, é hora de lutar para conviver somente com os medos primitivos.

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