Compêndio

Em Portugal existem as férias de Páscoa. Pouco antes delas, minha família lisboeta viajou para Amsterdam e Bruxelas e eu fiquei sozinha… Não quis ir, pelo frio e pelos euros. Também me sentia um pouco perturbada, e decidi ir visitar um grande amigo, para conversar um pouco e ver se me colocava de volta nos eixos. A visita deu certo, mas a conversa não, pois outro amigo ficou com pena de me ver viajando sozinha e se ofereceu pra me acompanhar. Não podia recusar a oferta, e o passeio a Évora foi muito legal.

Voltei, passei o fim de semana com Marco, segunda os primos já estavam de volta. Mas Reinaldinho ainda estava aqui, então fiquei um tanto carente… decidi passear sozinha, e o resultado dessa mistura não poderia dar certo. Mas pronto, já aprendi que esta vida não tem futuro. Na semana de férias, fui pra Aveiro. É uma cidade linda e pequenina, e criei verdadeiros laços com um amigo que fiz em Coimbra, na latada, e que me acolheu em sua casa.

Reinaldinho foi embora, e a vida foi voltando ao normal na Casa dos Primos e no meu coração.

Chegou a primavera, e Lisboa parecia finalmente esquentar. Saí de casa sem cachecol, na volta tomei vento frio e fiquei com a garganta péssima…

A Malta viajou unida no feriadão de 25 de abril, conhecemos Porto e Vila Nova de Gaia (lindos), Guimarães (pequeninamente lindo) e Braga (nem tanto). Voltei um pouco adoentada (eufemismo, estava ardendo em febre) mas fui ao show perfeito de Marisa Monte. Marco pensa que me acompanhou até em casa, mas na verdade ele me trouxe, pois eu estava péssima. Mas o show foi incrível!

Depois desse dia sofri um pouco com a gripe, até melhorei um pouco, mas estava com tosse, então fui a farmácia e comprei um xarope… No dia seguinte amanheci com dor de ouvido. Estava tudo pronto para ir à Queima das fitas de Coimbra, mas dor de ouvido me derruba completamente. Liguei pro seguro, fui ao hospital, me senti culpada pois me mandaram pra emergência por uma simples dor de ouvido mas pronto, ninguém foi prejudicado e o médico disse que eu ficaria bem. Comprei a medicação e parti pra Coimbra.

A casa dos meninos estava uma loucura (pra variar, com tantas visitas), mas gosto muito do astral da República dos Colonizadores. A princípio, a Queima não parecia nada mais que um show grande, como a Latada. No dia seguinte teve a Color Run, com mais energia positiva maravilhosa. Após alguns desencontros, voltei pra casa sozinha (com a ajuda de um amigo que fiz em Londres, o Neto), e fui refletindo e pensando e ficando triste… Mas nada que uma boa festa não curasse, me arrumei e fui pra noite com a Malta. Nos divertimos muuuuuito (Pinda nas Mina, Pinda!), mas também tive desencontros… Por fim, voltamos a Lisboa.

Os desencontros culminaram com o fim daquilo que nem começou.

Exames do começo de maio, festa surpresa de aniversário (a primeira da minha vida!), viagem a Amsterdam, Bruxelas e Paris com Marco (sim, pois ir até Paris e voltar de lá saiu mais barato que voltar direto de Bruxelas). Não gostei muito de Amsterdam, é uma cidade um tanto sombria demais, fria demais e louca demais… Amei Bruxelas, não sei se por conta do festival gay que se passava no período, que dava um ar de extrema alegria por todas as ruas, mas amei. E não detesto mais Paris, apesar de estragar o momento de Marco com a Torre Eiffel e de subirmos-la a pé no dia seguinte. A volta de Paris pra Lisboa foi minha primeira viagem sozinha, e foi bom pois já adquiri experiência viajando acompanhada, e tinha de adquirir sozinha para voltar ao Brasil…

Brunno veio nos visitar para o Brazilian Day e trouxe uma amiga, Simone. Tallys e Leo Santos também vieram, para o show do Iron. Tallys ainda ficou um tempinho, fazendo turismo. Vieram mais exames (os últimos!), Dona Jô e Tia Albertina vieram ter conosco (mãe e tia de Jose) e foi uma semana excelente. Tivemos comidas gostosas e fomos à Fátima e à Quinta da Regaleira.

A visita à Fátima não foi muito produtiva, pois meu cérebro ainda estava poluído de Amsterdam, mas lá é um lugar lindo e de muita paz. Tanta, que começamos a falar de Darlan e de como ele estaria em Fátima e como ele é um bom menino, etc etc… e isso mudou minha vida. Percebi que Darlan é um menino bom e amável, e que não tem como não gostar dele. O mesmo que eu dizia (e ainda digo) de Diogo, e que eu não tenho um pingo de atração por Darlan. Isto significa que não é porque um menino tem todas as qualidades que eu tenho de agarrar-me a ele, pois ele tem de ser o amor da minha vida. E a partir deste dia sempre tive meu coração feliz.

Brunno convidou-me para uma viagem de carro pelo sul da Espanha: Córdoba, Granada e Sevilha. A viagem seria no dia seguinte à minha última prova, mesmo dia que as meninas voltaram para o Brasil. A princípio não estava com muita vontade de ir, estava cansada dos exames e do turismo, mas queria muito conhecer a Espanha e não sabia se teria outra oportunidade. Aceitei.

Iriam Brunno e Simone, uma amiga em comum deles mandou o namorado dela e Simone chamou um amigo dela, os dois portugueses. Estava toda feia da semana dos exames: olheiras, unhas por fazer, cabelo duro… mas pensei: ah, vão Simone, Brunno e dois portugueses, não preciso me arrumar não, os primeiros são de casa e os segundos nem vão se meter comigo…

Ao chegar à Évora, Simone avisou que os dois se chamavam Jorge, mas um era chato e o outro legal, e me deu a missão de identificá-los. Resumindo, por fim estendi a viagem por mais um dia e fiquei para a Queima das Fitas de Évora. Apaixonei-me pelo Jorge legal…

Voltei pra Lisboa, decidimos ir pra Barcelona, compramos passagem para uma semana a frente.

Uma semana depois ele veio visitar-me, e apresentei-lhe a minha Lisboa.

Ele voltou pra Évora num domingo, nós fomos pra Porto no mesmo dia e Simone voltou para o Brasil na segunda. Após linda noite no aeroporto e 2h de atraso do vôo devido a problemas técnicos no avião da Ryanair, ficamos na casa de Thamy e Lula (obrigada gente, vocês são uns amores!), gostamos muito de Barcelona e voltamos pra Lisboa.

Fui pra Évora ver meu Jorge, era semana de seu aniversário. Voltei, e deparei-me com despedidas… Caxias, Val, Ricardo…

E está chegando a hora. E eu, com o coração dividido entre meu lar e meu príncipe encantado…

Sorte no Amor

“Já tens aí matéria para escrever. Mas eu preferia que não fosse escrita, fosse vivida.”

Enfim, a Exponencial

Semana triste e reflexiva com a despedida das meninas. Um mês comportadinha, sem festas em dias loucos e estudando quase como se deveria. Dei-me uma folga, resolvi ir à Urban, e acabei perdendo as minhas aulas preferidas, as da quinta-feira. Continuei a folga com um forrózinho no fim de semana, era despedida da Noite para Marco, até receber sua próxima mesada de Dilmãe.

Senti-me bandida.

Fui à missa, após 2 domingos ausente, minha alma sedenta de paz.

Tentei correr atrás do prejuízo das aulas perdidas, mas tive o azar de estar em minha semana vermelha, então só consegui dormir.

Marco viajou com Douglas. Reinaldinho chegou, e tornou essa casa mais feliz.

Em tantos aspectos que nem ele nem Jose podem imaginar.

Vendo-os, pude perceber que sim, tomei a decisão correta. O que eu senti não era amor, era apenas gostar. E gostar também não é pouca coisa…

Percebi que comecei a sofrer porque meu coração começou finalmente a ter noção do ocorrido, e sentiu falta do sentimento que o ocupava. Que sofri ainda mais, porque para mim é incompreensível (sim, no tempo presente) que alguém que declarava tanto amor possa tê-lo matado e criado outro aparentemente do mesmo tamanho por outra pessoa, que nem conhecia, em tão curto espaço de tempo.

Mas, como diria Carlos Drummond de Andrade: “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.”

E ainda que qualquer dia desses eu esteja emocionalmente fraca, conheci um carinha super legal que me contou sua história, resumida na minha mente em um simples diálogo, para me lembrar de optar por não sofrer:

“-Olá, minha esposa a 11 anos. Quero terminar tudo. Fiquei com uma menina, estou gostando dela e quero ficar com ela.

-Eu não vou desistir de você. Sei que o que está vivendo é passageiro, e eu te amo.”

O Lugar Mais Romanticamente Lindo do Mundo

Após uma semana tipicamente engenheira, acordando cedo para ir as aulas todos os dias e participando de um congresso, a malta resolveu conhecer Sintra ao fim de semana.

É uma cidadezinha que faz parte do concelho de Lisboa, e tem coisas incrivelmente lindas! Vários palácios românticos, dos quais o meu preferido foi o de Monserrate com seus jardins exóticos. A primeira parada oficial foi no Castelo dos Mouros, de construção imponente e vista sensacional do oceano atlântico!

Nesta mesma “viagem”, provamos os Travesseiros de Sintra, doce típico da região, e eu aprovei 🙂 Quase perdemos o último ônibus de volta, pois eu estava encantada com o jardim de Monserrate… E eu pelo menos cheguei a conclusão de que o Palácio da Pena só tem fama e preço, pois era o de entrada mais cara, o que tornava o bilhete do ônibus 3€ mais caro que o outro percurso, e que não tinha nada de mais para se ver dentro, apenas a bela vista do atlântico que também pode ser obtida dos Mouros.

Voltamos, Jose e eu tivemos um leve momento turista no comboio, mas chegamos a tempo da festa surpresa de despedida de Carol. Para mim não foi tão triste, visto que moramos na mesma cidade, mas já comecei a sentir pela partida de Rayssa e Camila…

Mais uma semana de aula, e veio a sexta-feira forever alone, mas que ocupei preparando a surpresa de Isabela Berbert. Foi lindinha, com bolinho em casa e galerinha de leve 🙂

No sábado foi a festa oficial do aniversário dela e de Camila, juntamente com a despedida da própria Camila e da Rayssa. Foi feliz, pois reuniu toda a malta (exceto Artur, que estava viajando), e ao mesmo tempo triste, com a despedida. Para alguns, a festa estendeu-se até o domingo a tarde…

Fui com Dani ao Freeport para comprarmos tênis para a academia, e na volta rezamos para não ter perdido o último ônibus! Por sorte não perdemos, esperamos por quase 1h mas chegamos em casa sãs, salvas e um pouco mais pobres.

“Em sua primeira paixão, a mulher ama o ser amado. Em todas as outras, tudo que ama é o amor.”

Acordou no meio da noite de repente, com vontade de chorar e gritar e atirar vidros à parede, na esperança de que os cacos de fora ocultassem os de dentro. Mas faltaram-lhe lágrimas, voz e forças. Respirou fundo, pediu a Deus paz e voltou a dormir. Não sem antes chorar por ele, uma vez mais.

Ao acordar, teve consciência do que provocou esta recaída brusca, visto que vinha tão bem: era dia dos namorados local. Todos aqueles sentimentos que estavam adormecidos, afloraram numa enxurrada de lembranças. Até mesmo seu telemóvel problemático fez questão de mostrar-lhe uma foto antiga, mas aparentando-se tão recente, de um desses momentos felizes. Engoliu o choro, não poderia sequer permitir-se esse prazer.

Por sorte já haviam recomeçado as aulas, e além disso estava a participar de um congresso. Bem a sua cara, sempre teve o hábito de afogar as mágoas nos livros. Mas não podia fugir de si para sempre. Retornou à casa ouvindo música alta, que na verdade era só um pretexto para não ouvir os próprios pensamentos.

Tentou fugir ainda uma vez mais, reclamando da sorte, da ausência das amigas que sempre comemoraram com ela este dia enquanto era solteira. De certo que comemoravam, eram as festas juninas em seu lugar. Foi surpreendida pelo irmão do coração, que lembrou-lhe que acima de tudo está o amor.

Decidiu continuar firme com a tentativa de ser feliz. Encontrou uma boa companhia, e comemorou de forma agradável. Agradável até o momento em que este disse-lhe coisas que a fizeram lembrar novamente… Permitiu-se então uma lágrima, pondo a culpa no filme.

Permitiu-se não mais pensar.

Não mais. Não até a hora de voltar à cama, e refletir se sente falta dele ou do sentimento. Mais uma vez, não soube responder a si mesma. Adormeceu no alento da canção do sono de sua irmã do coração.

Aprendendo na Vivência o Real Significado das Palavras

Euforia. Platonicidade. Essas foram as centrais do carnaval.

Euforia: “é um estado de emoção plena. Uma pessoa eufórica normalmente é muito ativa e entusiasmada, ficando sempre ansiosa quando encontrada nesse estado.”

Este foi o sentimento número 1 da noite de carnaval.

Após as prévias no Bairro Alto, mais especificamente no bar Meu Eu, popularmente conhecido por “1,90” por ser este o preço do litro de cerveja, fomos para Torres Vedras para o carnaval oficial. O carnaval mais português de portugal, como eles mesmos dizem. Teve desfile de carros alegóricos, que eu particularmente achei de mal gosto, por retratar de formas obscenas a crítica à crise. Teve trio elétrico, com músicas brasileiras do tempo que eu usava fraldas. E neste momento foi a euforia, uma alegria imensa de estar ali dançando na chuva, aquelas músicas tão antigas e tão gostosas, junto com meus amigos que são o maior tesouro deste intercâmbio. Alegria que vem e que passa, diferindo de felicidade.

Ainda por cima, para marcar bem a noite, resolvi pegar um calorzinho da fritadeira de churros, e sem perceber queimei minhas asas de fada e um pouco do cabelo. Nada grave, graças ao rapaz da barraquinha que me empurrou para longe do calor (que na hora eu nem percebi que havia queimado a asa), só um chamuscadinho nas pontas do cabelo.

E o sentimento número 2, mais relacionado as reflexões existenciais:

Platonicidade: catacrese para se referir a amor platônico. “um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve. Reveste-se de fantasias e de idealização. Ocorre de maneira frequente na adolescência e em adultos jovens, principalmente nos indivíduos mais tímidos, introvertidos, que sentem uma maior dificuldade de aproximar-se do objeto de amor, por insegurança, imaturidade ou inibição do ponto de vista emocional.”

Meu coração começou a reclamar do relacionamento desprovido de sentimentos de amor ou paixão. Mas penso que preciso deixar um pouco o meu mundinho perfeito, de amores de contos de fadas. Afinal, de nada valem a ligação pelo olhar, a beleza e até o beijo, se não há a intenção de ficar junto. Vale muito mais a boa companhia, mesmo que sem o coração, mas sem me abster de todas as coisas anteriores. Afinal, como disse Dani Poeta: “mas… ñ vais deixar de curtir por causa de uma platonicidade.

Então vamos lá, continuar a tentar ser feliz. Mas ainda assim, posso me permitir uma trilha sonora bem vulgar, mas ideal. 

Malta Também é Debate. É Afeto. É Plural e Singular.

Na madrugada de 4 para 5 de fevereiro, decidimos assistir filme na casa de Isabela Moraes. O filme escolhido não agradou todos os gostos, Django. Mas rimos demais! No meio da noite, resolvemos assistir a entrevista de Marília Gabriela ao pastor Silas Malafaia, que estava bombando no facebook. A entrevista rendeu um debate caloroso em nossa malta, que é bem diversificada em religiões, opiniões e conhecimento, afinal somos cientistas sem fronteiras.

Voltamos para casa com o sol nascendo, com a capacidade de analisar, refletir e argumentar mais afinada, com um leque maior de informações a respeito das religiões dos outros e, porque não, com um maior conhecimento a respeito da própria.

A semana foi bastante corrida, com todos esses eventos sociais e o início das aulas e o período de matrícula e o planejamento para o carnaval e para o aniversário surpresa de Isabela Moraes e a expectativa para o show de O Teatro Mágico, mas no fim, tudo foi perfeito!

Consegui me matricular dentro do prazo, embora tenha tido que montar acampamento na porta do professor coordenador da Engenharia da Energia e do Ambiente.

No dia 6 acordamos (Jose e eu) cedinho, fomos à visita técnica da Matutano (Elma Chips) com a Ordem dos Engenheiros de Portugal, e nos sentimos muito engenheiras responsáveis, por acordar cedo e fazer algo útil da vida.

Conseguimos fazer a surpresa de Bela, embora tenhamos alterado os planos três vezes e decidido as 22h fazer uma festa na madrugada, concretizando a possibilidade de ela ser expulsa do prédio.

O show de TM foi lindo, como sempre. Me trouxe lembranças daquele no SESC Guaxuma, a 5 anos… Me trouxe alegria, por ter meus amigos comigo nesse momento tão raro. Me relembrou também do quanto eu mesma sou rara.
Terminamos a noite no Bairro, com as últimas comemorações do aniversário de Isabela.

Só me arrependo de não ter comprado uma camiseta do TM, pois em euros tem-se a sensação de que é bem mais barata que em reais…

A canção do momento, que diz tudo.

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