Bubbly

Dezembro

And just.

Amor Inabalável

Sempre ouvi perguntas do tipo: de que música você gosta? Ou “qual a sua música preferida?”, e sempre respondia: Ah, depende do dia, hoje gosto muito dessa, amanhã quem sabe? Mas gosto disso disso e disso normalmente…

Pois bem, hoje descobri que tenho sim uma música preferida desde muuuito tempo, e sempre soube que gostava muito dela, mas só hoje, num ótimo show de Skank com os amigos-família (familhuxka), percebi que dentre todas as que já ouvi, esta é a melhor, sempre.

 

Sonhei

Sonhei e fui, sinais de sim,
Amor sem fim, céu de capim,
E eu olhando a vida olhar pra mim.

Sonhei e fui, mar de cristal,
Sol, água e sal, meu ancestral,
E eu tão singular me vi plural.

Sonhei e fui, num sonho à toa,
Uma leoa, água de Goa,
E eu rogando ao tempo:
– Me perdoa
E eu rogando ao tempo:
– Me perdoa

Sonhei pra mim, tanta paixão,
De grão em grão, verso e canção,
E eu tentando nunca ouvir em vão.

Sonhei, senti, sol na lagoa,
Céu de Lisboa, nuvem que voa,
E um país maior que uma pessoa.

Sonhei e vim, mares de Espanha,
Terras estranhas, lendas tamanhas,
E eu subi sorrindo esta montanha.
E eu subi sorrindo esta montanha.

Sonhei, enfim, e vejo agora,
Beijo de Aurora, ventos lá fora,
E eu cantando a Deus e indo embora.
E eu cantando a Deus e indo embora.

Os Insetos Interiores

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se

A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro…caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

 

O Teatro Mágico

Mantra

Quando não tiver mais nada

Nem chão, nem escada

Escudo ou espada

O seu coração

Acordará

Quando estiver com tudo

Lã, cetim, veludo

Espada e escudo

Sua consciência

Adormecerá

E acordará no mesmo lugar

Do ar até o arterial

No mesmo lar

No mesmo quintal

Da alma ao corpo material

Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare

Quando não se tem mais nada

Não se perde nada

Escudo ou espada

Pode ser o que se for

Livre do temor

Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare

Quando se acabou com tudo

Espada e escudo

Forma e conteúdo

Já então agora dá

Para dar amor

Amor dará e receberá

Do ar, pulmão

Da lágrima, sal

Amor dará e receberá

Da luz, visão

Do tempo espiral

Amor dará e receberá

Do braço, mão

Da boca, vogal

Amor dará e receberá

Da morte

O seu dia natal

Adeus Dor
Adeus Dor
Adeus Dor
Adeus Dor

Hare Krishna Hare Krishna

Krishna Krishna

Hare Hare

Hare Rama

Hare Rama

Rama Rama

Hare Hare (6x)


Nando Reis

Confesso

Confesso acordei achando tudo indiferente

Verdade acabei sentindo cada dia igual


Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante


Quem sabe o amor tenha chegado ao final



Não vou dizer que tudo é banalidade


Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais


É mesmo exagero ou vaidade


Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz



Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás


Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz


Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais



Tanta coisa foi acumulando em nossa vida


Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder


Aos poucos fui ficando mesmo sem saída


Perder o vazio é empobrecer



Não vou querer ser o dono da verdade


Também tenho saudade mas já são quatro e tal


Talvez eu passe um tempo longe da cidade


Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais



Não vou pedir a porta aberta é como olhar pra trás


Não vou mentir nem tudo que falei eu sou capaz


Não vou roubar teu tempo eu já roubei demais



Não vou querer ser o dono da verdade


Também tenho saudade mas já são quatro e tal


Talvez eu passe um tempo longe da cidade


Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais


Ana Carolina

Para Luzir o Dia

Casa pra morar,
Boca pra beijar,
Chão para pisar, cama.

Bolo pra comer,
Bola pra bater,
Olho para ver tudo.

Sol para luzir o dia,
Céu para cobrir o mundo,
Som para ouvir,
Sono pra "durmir".

Gente pra nascer,
Tempo pra crescer,
Jeito pra viver sempre.

Mão pra segurar,
Mãe pra abraçar,
Pai para brincar muito.

Sol para luzir o dia,
Céu para cobrir o mundo,
Som para ouvir,
Sono pra "durmir".

Para a letra a,
Sim é pra você,
Não quero morrer, luto.

Pele pra queimar,
Pêlo pra aquecer,
Beijo para ser simples.

Sol para luzir o dia,
Céu para cobrir o mundo,
Som para ouvir,
Sono pra "durmir".

Nando Reis

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