Me perdi

Talvez por crescer em meio a diversos contos de fadas, de princesas que só encontravam a felicidade e estavam completas ao lado do príncipe encantado;

Talvez por ter tido a sorte de aprender que meninas são fortes, independentes, que devem construir suas vidas contando apenas consigo mesmas…

O fato é que entrei num limbo entre estas duas “verdades”, a princípio tão contraditórias para alguém que apenas engatinha na compreensão de si.

Decidi me libertar de tudo que tira a minha paz, a começar por aquilo que demandava mais energia.

Aprendi que é preciso ter crenças, objetivos e metas, mas que quando a caminhada exige sacrifícios que levam à perda de si, que contradizem seus valores, que levam a abrir mão do viver plenamente agora em nome de uma felicidade futura e idealizada, é porque este caminho está errado, esse objetivo é fruto de projeções externas, ou até mesmo porque este caminho já ofereceu tudo o que lhe tinha de aprendizado, faltava apenas aceitar que era hora de mudar de rumo.

Decidi me perder para me encontrar

Abrir a alma e o coração para receber as boas energias do mundo…

Encontrei

Talvez não a mim mesma, mas uma alma tão cheia de luz que nela foi possível ver o reflexo da minha própria.

Pude perceber o impacto e o poder de um sorriso sincero;

Pude compreender a frase que escuto eventualmente, para a qual apenas agradecia, mas que não havia sentido, ainda, a experiência de vivenciar: “você transmite paz” …

Pude enfim entender episódios de encontros com pessoas ausentes de amor, pois tamanha luz exerce tal fascínio que se torna irresistível, sendo, para os desprovidos de amor, como um tesouro que deve ser explorado e exaurido.

O bom é que estes são minoria.

Os comuns possuem uma chama que, ao se encontrar com uma alma de luz, sentem a própria energia renovar-se, e ficam preenchidos de alegria.

Já para outra alma de luz (que costuma perturbar-se quando algo ou alguém consegue interferir no seu brilho), esse encontro a faz incendiar…

Talvez a missão de uma alma de luz seja apenas contagiar outras…

Não posso, ainda, dizer que encontrei a mim ou a minha missão,

Posso (apenas) dizer que encontrei uma alma de luz, livre, e que este momento fez recordar que ela jamais deve permitir que seu brilho esmoreça, que deve manter-se sempre aberta e em busca de sua paz…

Seus valores…

Sua felicidade.

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