Bubbly

Dezembro

And just.

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Da Espera

Novembro

“- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de teus passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem fugir para debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me dizem coisa alguma. E isso é triste Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:

– Por favor… Cativa-me disse ela.

– Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo.  Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um cativa-me!

-Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.

-É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentará mais perto…

No dia seguinte o principezinho voltou.

– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca há hora de preparar o coração… É preciso ritos.”

E os meus ritos foram de enlouquecer! Desde a faxina geral na casa, até estudar todo o conteúdo atrasado para as provas vindouras… mas por fim, redescobri o preço da felicidade.

Nem Bom, Nem Mau

Outubro

Em época de eleições, o Brasil mostrou seu pior lado. Eduardo, O candidato que parecia ser o mais promissor morreu numa situação adversa (ninguém sabe se de morte morrida ou matada).

Foi substituído por Marina, uma candidata também promissora, mas que queria agradar a todos, o que acabou passando uma imagem de volúvel e indecisa, afastando muitos de seus eleitores. Havia outros bons candidatos, como Dudu Jorge e Luciana, mas o segundo turno acabou retratando a (falta de) consciência política da maior parte da população.

As redes sociais tornaram-se palco de baixarias. O país aparentemente se dividiu entre os dois candidatos, e as pessoas defendiam um ou outro em debates ofensivos a seus (anteriormente) “amigos”. Era a prova real do baixo nível destas pessoas.

Já não se podia demonstrar o voto por um ou por outro, nem mesmo a neutralidade, sem receber críticas ou ofensas. Tolos.

Não repararam eles que:

Não é o presidente que manda no Brasil. Se o presidente toma decisões, ele precisa do apoio do senado, e pouquíssimos foram aqueles que se importaram em pesquisar a vida de seus candidatos a senador, deputados e governador.

Os dois candidatos eram, mesmo que política e pessoalmente opostos, farinha do mesmo saco. Ambos almejavam apenas o poder, embora um utilizava-se da estratégia do populismo, enquanto outro do apoio dos ricos, os que já dominam o poder. No fim das contas, não são bons nem maus, são igualmente egoístas.

A solução que eu vejo para o Brasil é da população se decidir entre ser “bom” ou “mau”. O que, aliás, nem é uma colocação adequada, pois todo mundo tem em si um pouco de bondade e um pouco de maldade.

Colocando melhor, a população precisa começar a ter responsabilidade sobre aquilo que acontece ao seu redor. Se o bairro está cheio de lixo, normalmente não é porque a prefeitura não fez a coleta, mas sim porque VOCÊ o jogou lá. Se o rio está poluído, não foi o vereador que fez ligação clandestina de esgoto… Se os brinquedos da pracinha estão quebrados, não foi falta de educação do filho do prefeito que foi até lá depredá-los… Não são os políticos que fraudam meia entrada no cinema, furam filas, enganam no troco, enganam nas bombas de combustível, fazem “gatos” de água, energia, tv a cabo… É VOCÊ. É preciso assumir a responsabilidade e assumir: o problema SOU EU.

Sob outro aspecto, suponhamos que apenas os políticos de uma nação são “maus”, e todas as outras pessoas são “boas”. Daí ele pretende construir uma creche no bairro, mas quer usar os materiais mais baratos e prestar contas de que usou os mais caros, embolsando a diferença e dando parte a quem participou do esquema. Sendo a construtora honesta, iria realizar esta obra? Sendo o órgão fiscalizador honesto, iria aprovar esta creche quando estivesse pronta? E a população, iria aceitar esta creche mal feita? A resposta é não. O mau político ficaria de mãos atadas, seria obrigado a fazer o que é correto. Eis aí uma solução simples.

Mas o povo continua mais preocupado com o próximo capítulo da novela das 21h, e em quem vai lhe pagar mais pelo voto na próxima eleição.

Como disse Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.

Mundinho Perfeito

No meu mundinho perfeito, ninguém é obrigado a viver sem perspectivas de futuro.

Não existem pobres ou ricos, todos escolhem a profissão por dom, amor, aptidão, e há vagas para todos e salários que permitam uma vida digna.

Não existe intolerância.

Não existe preconceito.

Não existe corrupção.

Não existe consumismo. Existe consumo, daquilo que é necessário, mas não consumismo.

Não existe passar fome. A não ser que seja uma dieta muito louca para entrar naquela roupa especial.

Não existe padrão de beleza. Belo é todo aquele que vive em harmonia.

Não existe jogar o lixo fora, porque todos sabem que não existe “fora”.

Não existe poluição.

Não existe egoísmo.

Não existem guerras.

O meu mundinho perfeito luta muito para existir, mas somente na minha cabeça;

Porque, na realidade,

O meu mundinho perfeito, não existe.

Obs.: texto do mês de agosto. Tinha um lembrete com os temas dos posts dos meses, mas este eu não fazia ideia do que se tratava :p

American Way of Life ou Espelho Europeu?

Agosto

Dizem que o Brasil costuma copiar muito o modo de vida dos Estados Unidos. Será mesmo?

Sempre ouvi dizer que os norte-americanos compram demais, desperdiçam demais, comem fast food demais, gastam demais. O único ponto positivo é seu lado empreendedor, de sempre mostrar e valorizar o melhor que possuem, ocultando as partes ruins. Isso se parece mesmo com o Brasil?

Por outro lado, crescemos ouvindo histórias de príncipes e princesas em aventuras em castelos. A moda é ditada pelas passarelas de Milão ou Paris. Os filmes mais românticos sempre se passam em Veneza ou Paris. As reportagens sobre cidades com arquitetura linda, história da civilização (ok, história é história, é como é), dietas de pessoas saudáveis e longevas, são sempre sobre o Norte europeu, ou Grécia, ou arredores do mediterrâneo.

Este é o desejo da maioria dos brasileiros, mudar-se para a Europa. A mídia prega sempre que lá é melhor que aqui, e esse tipo de pensamento com certeza jamais passaria pela cabeça de um estadunidense.

Qualquer lugar do mundo tem seus pontos positivos e negativos, e nenhum é melhor que o outro (exceto naquela zona dos “stãos” que vivem em guerra desde sempre, mas isto é outra história).

Acredito que o modo de pensar é que deveríamos copiar dos norte-americanos: valorizar o que temos de melhor e trabalhar para transformar o que é ruim no melhor possível, e não passar a vida sonhando e desejando mudar-se para a Europa, falando do mal e do pior do Brasil, esquecendo que quem faz um país são os seus habitantes.

Se todos despertassem a responsabilidade própria sobre as diversas situações, além do senso de coletividade, com certeza teríamos uma qualidade de vida com níveis europeus, desfrutando de todos os recursos naturais, personalidade e diversidade do povo brasileiro.

Medo

Julho (Sim, ainda dos posts atrasados. Uma das promessas de ano novo é atualizar e manter atualizado o blog).

De onde vem o medo?

A definição da wikipédia para medo é:

“O medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. É também uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (interpretação, imaginação, crença) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir.”

A exceção dos medos primitivos, como o medo de animais peçonhentos, grandes predadores ou transmissores de doenças, o medo é “uma reação a algum estímulo físico ou mental”. Hoje, a sociedade é estimulada a viver com medo.

Ligamos a televisão, e temos notícias de violência em diversas proporções, de desastres naturais, de terrorismo… Ficamos com medo de sair à rua, de viver.

Mas, o que torna uma rua perigosa, esquisita? Não é justamente a ausência de pessoas “de bem”, cuja presença poderia intimidar a ação dos bandidos? Se ao soubermos que houve um assalto em determinado local e evitamos passar por lá, vamos facilitar a ação dos bandidos contra as pessoas que necessitam passar por lá.

Num local sujeito a intempéries, podemos nos preparar para elas, com construções resistentes a terremotos, com planejamento adequado contra enchentes e secas, e tantas outras medidas cuja tecnologia humana já domina.

E quanto aos terroristas, bem, a meu ver são somente perturbados mentais que sentem prazer no caos, uma possível solução seria não lhes dar atenção e nem poder, quem sabe talvez eles parem, como crianças mimadas?

A questão é que não podemos nos deixar dominar pelo medo. Já passou e muito da hora de reagirmos contra as diversas formas de violência a que somos submetidos, e não só as citadas acima, mas também as ameaças de falta de emprego, de fim dos recursos naturais, de epidemias de doenças graves, entre tantas outras.

Não podemos ter medo de viver, é hora de lutar para conviver somente com os medos primitivos.