Tell me that you’ll open your eyes

Maio

Meu primeiro contato com a vida profissional foi na empresa Júnior. A princípio era quase como uma brincadeira, mais uma atividade para o currículo acadêmico. Fui me envolvendo, gostando, aprendendo, assumindo responsabilidades… Hoje percebo que foi das experiências mais enriquecedoras da minha formação, a começar pela música tema do nosso primeiro vídeo motivacional:

Sim, este mês, após não ser aprovada no concurso da EPE e ser prejudicada pela falta de organização do processo seletivo da Falconi, finalmente enxerguei a realidade da vida profissional.

Passamos anos completamente dedicados aos estudos, chega a ser a vida inteira se considerarmos que entramos na escola aos 3 e saímos da faculdade por volta dos 24 anos. Tudo isto acreditando que “seremos alguém” na vida, que poderemos ter um bom trabalho, do qual gostemos e que seja bem remunerado, somente através dos conhecimentos adquiridos.

Não é mentira, mas também não é verdade.

Não é mentira pelo fato de podermos sempre participar de um concurso público. Estudar horas a fio, na maioria dos casos decorar coisas desnecessárias (tais como leis e mais leis) e ainda ter sorte, pois acontece de cair questões sobre um conteúdo nunca visto, e que estava implícito no edital. Pode-se ainda continuar na universidade, fazer mestrado, doutorado, aprofundar o conhecimento sobre determinado tema, quem sabe até fazer uma descoberta científica. Por fim, em nosso país, pode-se ser professor pesquisador numa universidade, não sem antes passar por um concurso público.

Não é verdade, se a palavra conhecimentos se restringir aos conceitos técnicos e científicos. Ao terminar uma graduação, acredita-se que basta entregar um currículo com diversas atividades bem realizadas, mostrando todo o conteúdo adquirido ao longo do curso, e será aceite na empresa que desejar. Grande engano! Se não há QI (quem indique) na empresa, muitas vezes nem leem os currículos. Se chegam a ler, exigem experiência, a qual dificilmente consegue ser adquirida numa graduação em tempo integral, na qual os horários de aulas não permitem exercer qualquer outra atividade que não seja a dedicação exclusiva à universidade, em seus inúmeros grupos e projetos de pesquisa nos intervalos das aulas.

Alguns tem a sorte de conseguir o tal QI dentro do estágio obrigatório. Mas as vezes até mesmo o estágio depende de QI, o que torna a coisa toda um círculo fechado. Nada muito diferente da segregação social em classes, como aprendemos que era na antiguidade, mas na prática observamos GRANDES resquícios dessa divisão.

O que resta para quem chega até este ponto? Desistir da profissão sonhada e torcer para ser aceite no setor de comércio, ou correr atrás do prejuízo através dos programas de trainee das empresas de “mente aberta”, ou ainda rezar a espera de um milagre, de que falte gente com QI e eles possam analisar os currículos com honestidade e avaliar a meritocracia.

Agora consigo compreender o porquê de tantas pessoas interesseiras na universidade. E fico ainda mais triste em perceber que, num país de tanto potencial, a forma mais fácil de conquistar um espaço no mercado de trabalho é por “puxa-saquismo”, ao invés de reconhecimento e mérito.

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Making the Dreams Come True

Finalmente chegou o tão esperado mês de abril. A prova para a qual estudei com a minha vida, e os momentos mágicos tão imaginados com meu coração.

O início da viagem foi conturbado (como sempre, porque com meu pai não existe planejamento), mas no fim tudo deu certo.

O aeroporto do Rio estava ainda pior do que me lembrava na minha escala de milhões de horas, cheio de reformas, mas rever a PaniLinda foi sensacional! Era como se nunca tivessemos nos separado (exceto pelos cabelos mais compridos).

Demoramos a vida para chegar à casa7, no começo fui tirando fotos do RJ, como sempre, mas acabeu dormindo, o que ela achou uma façanha dado o barulho e balanço ônibus. Mal sabe ela que é igualzinho a um UFAL – Ipioca…

Chegamos à casa7, a mim pareceu um pequeno castelo urbano, por causa da cor e algumas pedras e o jardim na frente, mas Pani tirou o charme da coisa a dizer que era cor de reformas eternas :p Mesmo assim amei! A família7 é muito amável, seus pais parecem mais nossos primos do que pais da amiga, provavelmente por serem jovens e fofos! Com o irmão e tias não falei muito, mas também foram bastante receptivos. Só o Big que não foi muito com minha cara a princípio, mas depois nos entendemos.

A prova foi traumática, como esperado, mas depois aproveitamos bem os dias de folga pelo Rio de Janeiro. No fim das contas não gostei da cidade, só é bonito o que é turístico, e tem muita gente, muita bagunça, muita confusão. De boas impressões só ficaram a paisagem e a família7. Decididamente, não sou de metrópoles.

Porém, consegui voltar ilesa, não fomos assaltadas nem furtadas, então temos de comemorar!

Na volta, já comecei a planejar a mala para os dias Jorge! De modo que tudo ficou pronto pelo menos dois dias antes da viagem. E a viagem não foi nada esperado, na antevéspera foi a despedida da Laís, e fiquei na piscina até mais tarde do que deveria, resultando em uma crise de garganta e espirros. Passei a viagem INTEIRA, 7H de espirros. Cheguei a Lisboa acabada.

Mas Lisboa era a mesma de sempre. Cheguei ao aeroporto como se tivesse em casa, ainda tinha um cartão Viva Viagem válido (economizando assim 50 centimos), peguei o metro com a maior vontade de ir para a Casa dos Primos e me jogar na minha cama quentinha. Mas a minha mala grande me fazia lembrar que a Casa dos Primos agora era só o apartamento da Dona Delmina. O metro com cheiros de Darlan e Jose me faziam ter saudades imensas. Mas o cansaço de não ter dormido nem me deixou dar muito por isso, a minha vontade era ir direto para o Jorge… Mas sabia que tínhamos horas combinadas, então me forcei a ir passear por Lisboa, rever os locais preferidos. Não tive disposição para ir a todos, mas foi como se nunca tivesse saído de lá. Colombo, Baixa, Bairro Alto, Restauradores… tudo parte de um passado tão presente.

Peguei o metro e fui para Sete Rios. Peguei minha mala e parti ao encontro do meu coração. A viagem parecia diferente, e percebi que era porque nunca tinha sentado na frente, e mais tarde porque peguei uma época rara de campos alentejanos verdes.

Cheguei à Évora, e meu Jorge não estava. Foram os 10 minutos mais longos da minha vida inteira! Mas quando ele chegou, parecia um sonho se realizando… e era mesmo!

Não exatamente como imaginei, eu estava cansada e doente, mas estava novamente com o meu lindo! Fomos para casa, e tivemos verdadeiros dias de casal. Perfeitos.

A volta foi menos difícil do que imaginei, porque estávamos ainda mais certos de nosso futuro.

A única dificuldade foi passar 1h entre a fila do detector de metais e controle de passaporte, chegando à porta de embarque 10min depois do previsto. Por sorte, eles marcam para meia hora antes do horário real. Também não consegui dormir na volta, turbulência. Além disso, no caminho de Recife a Maceió, tinha um cavalo na pista… não houve feridos além do carro, mas já me deixou decidida por fazer uma rota que termine no aeroporto de Maceió.

Só o que não gostei foi a insistência e pressão das amigas por saber detalhes e mais detalhes da viagem. Jorge é extremamente reservado, e conhecendo-o melhor pude descobrir suas razões, e tenho mantido bem a discrição em nosso relacionamento. Sem contar que já aprendi que quando uma coisa vai bem, é melhor deixa-la em segredo, porque muito acontece para fazê-la ficar mal. Então, só contei detalhes para as amigas mais próximas mesmo mesmo, e espero que nenhuma tenha ficado ofendida por não saber minunciosamente cada parte do nosso dia, porque, sinceramente, percebi que isso só pertence a nós dois.

Luto

Ao pensar sobre o que escreveria para o mês de março, tive momentos de nada, porque realmente neste mês não fiz nada além de estudar para o concurso e planejar viagens.

Decidi escrever sobre um tema qualquer, mas lembrei que em março estava de luto pela perda das minhas gatinhas. E pensar em escrever sobre elas trouxe de volta muitos fantasmas…

Sâmea, Nata, Bolinha, Sushi, Amy, Lu. Hoje, só tenho a Lu.

Suíno, Preto, Bia, Monstrenga, Filho, Dó da Selva, Ane. Estão comigo Filhinho e Dó.

Já tive alguns bichinhos, algumas mortes, mas as mais dolorosas foram as violentas. Vivo preocupada pelos meus bichinhos.

E só tenho uma coisa a dizer:

“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.” (Mahatma Gandhi)

O Fim e o Início

Janeiro foi o mês dos antônimos. Não antônios, antônimos. Opostos, antíteses, divergências.

A começar pela quebra do laço de uma amizade maluca, boa, má, sem sentido e importante, com uma simples recepção da melhor forma que pude, de braços e coração aberto.

Depois e mais significativa, a minha imensa vontade e urgência em terminar o curso e me afastar da UFAL, aliada ao medo e insegurança da falta de perspectivas claras sobre o futuro.

Ao mesmo tempo em que não suportava mais estar naquela universidade, por me sentir deslocada, desagrupada e com poucas coisas mais a me acrescentar, eu temia pelo dia que me visse sem a proteção do vínculo acadêmico. As aulas que ainda tive eram em turmas já conhecidas, mas de pessoas que se faziam muito estranhas a mim, pois a maioria delas não desenvolvia sequer a relação de coleguismo (Agradeço a Raphinha, Nareida, Bodão e Antônio por estarem comigo nessa, porque aquela turma de civil era mesmo chata). Outras eram em turmas de conhecidos colegas, mas matérias extremamente chatas. A única disciplina que tinha boas coisas a acrescentar, aliada a uma boa turma, era a mais difícil e estressante de todas.  Além disso, é sabido que fiz pouquíssimos amigos de verdade durante a graduação, e eu mal cheguei a vê-los neste período, por conta dos horários diversos. Portanto, é mais que justificada a minha vontade de deixar logo aquele ambiente.

Por outro lado, não havia perspectivas de futuro. Nenhuma proposta de emprego, nenhum mestrado que me agradasse acessível no momento, nada. Apenas um salto no escuro. O dia em que saí do estágio foi bastante triste, porque sabia que perderia meus vínculos com “o mundo do networking”.

Dediquei-me inteiramente a estudar para um concurso de edital pouco claro, e a planejar cada detalhe da minha visita ao namorado.

E assim, me vi sem planos concretos de longo prazo. Foi o fim da fase “estudante de engenharia” e o início da “engenheira à procura de colocação no mercado de trabalho”. Insegurança total.

 

Obs.: sim, o fim repentino do texto é proposital, para combinar com a sensação de vácuo que senti no período.

Sobre a Teoria Geral da Relatividade

O mês de dezembro foi completamente oposto a maio e junho. Enquanto que naquele tinha tantas atividades que não consegui nem escrever para o blog, fato que acabou me levando a uma total desorganização e atraso com os textos, nos últimos 30 dias tenho tido exatamente NADA para fazer. Ou planejar. Ou produtivo para pensar. Somente um tédio generalizado. Os dias têm se resumido a acordar ao meio dia, procurar vagas de trabalho disponíveis, enviar currículos, assistir séries e televisão e jogar paciência e mais séries até às 2h da madrugada, quando durmo e encerro o ciclo. Chato e enlouquecedor, especialmente para quem se acostumou à correria da universidade e as diversas atividades de Lisboa.

Após um período de leve depressão, decidi usar este tempo livre da maneira mais útil possível. Com indicação de amigos, procurei alguns cursos gratuitos para fazer e ocupar a mente. O ideal era que fossem presenciais, mas só encontrei on line… Ao menos é uma distração útil. Também voltei ao MEO – My English On line – e fiz uma lista de coisas que deveriam ser feitas, mas sempre adiava por preguiça ou falta de tempo. Dentre estas, está à atualização do blog, incluindo os textos dos meses em que fiquei devendo. Publiquei um texto para o mês de novembro e outro em fevereiro, portanto, devo dezembro, janeiro, março, abril e maio.

Fiquemos com este para dezembro. Ao pensar no que poderia escrever sobre dezembro, o que se passava em minha vida, cheguei à conclusão de que não teria nada, pois estava somente envolvida em terminar o trabalho de conclusão de curso e ser aprovada em todas as disciplinas para me formar tão logo quanto possível, e isto não é nada interessante. Então comecei a refletir sobre o quão relativo é o Tempo.

Passaram-se menos de 6 meses, e a minha vida mudou completamente. Fui do “não tenho tempo nem para me coçar” à necessidade urgente de fazer alguma coisa com tanto tempo livre. Percebi que a saída do “meu mundinho” para o mundo euro e depois o retorno ao mundo Real (inclusive monetariamente) quebraram completamente a minha estável relação com o Tempo.

Nos três anos do ensino médio, fiz fortes laços de amizade e tive um bom crescimento pessoal. Durante os longos q u a t r o  a n o s  e  m e i o  em que estive na universidade, praticamente não agreguei nada além de conhecimento técnico/específico. Conto nos dedos de uma mão os amigos que fiz, e ainda assim não são tão próximos quanto os da fase anterior. O amadurecimento foi mínimo, o suficiente para perceber que existem mais pessoas más que boas e para consolidar que só o que cai do céu é chuva, que é preciso muito trabalho e esforço para atingir os objetivos. Já nos simples 11 meses em que estive em Lisboa, fiz amigos tão bons quanto os da época do ensino médio, voltei a ter esperanças nas pessoas, comecei a ver que existem diveeersas realidades e que se pode ser feliz em qualquer delas, tive grande amadurecimento emocional, pessoal e profissional. Nos 6 meses seguintes, segundo semestre de 2013, estive inteiramente dedicada a dois objetivos: me formar e ver meu namorado, e confirmei que tudo é possível com dedicação e perseverança. Mas também, no primeiro semestre de 2014, tive o desprazer de sentir as consequências da falta de planejamento.

Olhando para estes fatos eu me pergunto: como é possível ter tantas experiências condensadas em pouco tempo e tanto tempo com tão pouca vida vivida?

É a forma como escolhemos (ou não) viver, o quanto nos permitirmos estar abertos para o mundo e procuramos oportunidades de crescer como pessoas. É a tal da relatividade.