O Céu e a Terra

E uma cristã que acredita em energias, para quem o dia 31/10 tem trazido vários momentos marcantes de mudança a caminho da felicidade.

“Você seria mais feliz se sorrisse com a sua alegria? Se não dependesse da minha boca para gritar eu te amo, gargalhar eu te amo, soluçar eu te amo, deixar eu te amo ecoar pelos quatro prantos do mundo?

Você seria mais feliz se não precisasse dos meus dentes para arrancar sua dor, se não dependesse dos meus versos para acalmar a folha em pranto, se não precisasse dos meus dedos para fincar sua alegria nesses lábios finos, e deixar as lágrimas engrossarem pros lábios de lá?

Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas
Lágrimas

Lágrimas,
Eu seria mais fraco ou talvez menos franco se aceitasse o seu amor como amor e não como pranto. Você nunca me amou. Nunca. “Nunca diga nunca” nunca funcionou. Não funciona para quem vive de poesia. Eu acredito no impossível e nessas coisas que você chama de milagre. Eu sobrevivi a vários milagres: suportar tua ausência é um milagre, secar mil lágrimas é um milagre, viver de poesia é um milagre, um poeta é um milagre, o amor… não!

Amor é acontecimento: é o que sobra depois de todo esquecimento. Queria que ele coubesse no que eu vejo em você. Queria que ele soubesse que eu acredito em você. E que você sorrisse todas as manhãs como se quisesse me encontrar todas as noites; e à tardinha também. Dizer que me ama ao som de Jorge Ben, jurar que me quer ao ler Baudelaire. E não só risse para afastar o desespero. E não sorrisse para fingir que o amor te alegra. E não sumisse por temer o que te espera. E assumisse que o que já fomos, já era. E na mesmice dos nossos desencontros, eu me encontro completamente indiferente ao que você sente… Em vão… Em vão… Em vão… Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos?

Queria que você se sentisse divinamente desumana e um pouco menos culpada. E não fumasse só por se achar bonita em uma fotografia em preto e branco. Eu prefiro encontrá-la mil vezes no desespero de quem ri sozinho em medo e pranto; e amá-la, assim, para sempre e tanto…”

[um retrato em medo e pranto; antônio] – Do “Eu Me Chamo Antônio”, no Facebook.

Wake me up when october ends

Porque o tempo passa, a vida muda, e mesmo tendo um caminho completamente novo, ainda assim não consigo seguir plenamente em frente com assuntos inacabados.

Gostaria de poder mostrar que não sou uma traidora, e de explicar porque as coisas chegam ao fim.

Gostaria de poder entender para onde foi o “amor” declarado.

Mas pelo visto, tenho de ficar com o sábio texto de meu amigo, Alexandry Mazoni:

“Devemos ficar por aqui, pois

Uma solução para nossos problemas é indispensável

Mas também impossível

E inexequível para nós dois

Então devemos pensar que foi inesquecível

E nos separarmos depois

Porque é inexplicável,

Mas a insaciável vontade de te ter

Se foi.”