Ser Mulher num Mundo Machista

Desde sempre aprendi a ser uma menina independente.

Tenho uma família machista, mas apenas no sentido doméstico da coisa: “isto não é serviço de homem…”. Sempre me apoiaram e incentivaram a estudar e trabalhar e não depender de ninguém.

Sempre tive minhas amigas, mas gostava mesmo da companhia dos amigos, pois não suportava conversas “de menininha”, girando sempre em torno de meninos, maquiagens, cabelos, roupas… deveriam ser chamadas de conversas fúteis, isso sim, pois só o fato de serem chamadas “de menininha” já tem grande preconceito embutido.

As minhas amigas de verdade sempre foram meninas, garotas e agora jovens mulheres de conteúdo. E este conteúdo inclui sim as preocupações estéticas e emocionais que fazem parte de nossas vidas.

Os meus amigos também sempre foram grandes pessoas. Primeiro por não ouvirem “a sociedade” que diz que não existe amizade entre homem e mulher, e estabelecerem fortes laços comigo. Depois, por estarem comigo até eu ter maturidade suficiente para tirar de mim o preconceito generalista, e poder enxergar as grandes mulheres que haviam ao meu redor e que eu podia sim ser feliz tendo-as como amigas. Além disso, tenho de agradecê-los por me suportarem durante As Minhas crises de mulherzinha…

As mulheres fúteis já não me incomodam mais. O mundo é grande e tem espaço para todas. Exceto quando “as piriguetes que ainda não encontraram seu príncipe encantado resolvem se engraçar para o meu”, mas isto é outro assunto.

O grande problema são os homens pequenos. E não falo em tamanho.

A sociedade prega a liberdade feminina, a igualdade, mas tudo hipocrisia. A maioria das pessoas é machista sim. Os homens não tem respeito pelas mulheres. Tratam-nas como se fossem feitas para atender as vontades deles, mesmo que implicitamente. Vide a quantidade de mulheres que continuam a ser estupradas e agredidas. Vide o fato de não podermos sair de casa desacompanhadas a qualquer hora, de termos que ouvir pilhérias na rua, de sermos taxadas disto ou daquilo de acordo com o tamanho de nossas roupas. E ver que muitas vezes as mulheres defendem o modo de pensar dos homens.

Sofri algumas decepções. Pessoas que eu chamava de “amigos”, passaram a me paquerar ao supor que estou solteira. E isto reduziu em muito o meu número de amigos, além de ligar no máximo o meu “desconfiômetro”.

Hoje sou quase engenheira. Sou estagiária numa empresa de engenharia onde, exceto as estagiárias, só trabalham quatro mulheres, e uma delas é a cozinheira. Acho que isto é 10% do total de empregados, mas quero crer que não é preconceito, é apenas falta de interesse das mulheres pela área. Dada esta proporção, é inevitável ter setores em que só trabalham homens. E quando entra na sala uma mulher, é comum ouvir chistes do tipo “sua presença alegrou o ambiente”, “devia trabalhar aqui mais vezes”… nada agressivo, mas que deixa sem graça.

Quando era júnior, aprendi que uma das coisas mais importantes no mercado de trabalho, além da competência, é o relacionamento interpessoal. E que a formação de networking se dá nos momentos de socialização: almoço, jogar conversa fora depois do expediente, entre outros.

Então eu pergunto: é possível aceitar um convite para um almoço nestas circunstâncias, e ter a segurança e confiança de que é apenas o estabelecimento de uma rede de contatos de trabalho?

Difícil responder. Além de competência, é preciso ter coragem e diplomacia.

Amor Inabalável

Sempre ouvi perguntas do tipo: de que música você gosta? Ou “qual a sua música preferida?”, e sempre respondia: Ah, depende do dia, hoje gosto muito dessa, amanhã quem sabe? Mas gosto disso disso e disso normalmente…

Pois bem, hoje descobri que tenho sim uma música preferida desde muuuito tempo, e sempre soube que gostava muito dela, mas só hoje, num ótimo show de Skank com os amigos-família (familhuxka), percebi que dentre todas as que já ouvi, esta é a melhor, sempre.