O Lugar Mais Romanticamente Lindo do Mundo

Após uma semana tipicamente engenheira, acordando cedo para ir as aulas todos os dias e participando de um congresso, a malta resolveu conhecer Sintra ao fim de semana.

É uma cidadezinha que faz parte do concelho de Lisboa, e tem coisas incrivelmente lindas! Vários palácios românticos, dos quais o meu preferido foi o de Monserrate com seus jardins exóticos. A primeira parada oficial foi no Castelo dos Mouros, de construção imponente e vista sensacional do oceano atlântico!

Nesta mesma “viagem”, provamos os Travesseiros de Sintra, doce típico da região, e eu aprovei 🙂 Quase perdemos o último ônibus de volta, pois eu estava encantada com o jardim de Monserrate… E eu pelo menos cheguei a conclusão de que o Palácio da Pena só tem fama e preço, pois era o de entrada mais cara, o que tornava o bilhete do ônibus 3€ mais caro que o outro percurso, e que não tinha nada de mais para se ver dentro, apenas a bela vista do atlântico que também pode ser obtida dos Mouros.

Voltamos, Jose e eu tivemos um leve momento turista no comboio, mas chegamos a tempo da festa surpresa de despedida de Carol. Para mim não foi tão triste, visto que moramos na mesma cidade, mas já comecei a sentir pela partida de Rayssa e Camila…

Mais uma semana de aula, e veio a sexta-feira forever alone, mas que ocupei preparando a surpresa de Isabela Berbert. Foi lindinha, com bolinho em casa e galerinha de leve 🙂

No sábado foi a festa oficial do aniversário dela e de Camila, juntamente com a despedida da própria Camila e da Rayssa. Foi feliz, pois reuniu toda a malta (exceto Artur, que estava viajando), e ao mesmo tempo triste, com a despedida. Para alguns, a festa estendeu-se até o domingo a tarde…

Fui com Dani ao Freeport para comprarmos tênis para a academia, e na volta rezamos para não ter perdido o último ônibus! Por sorte não perdemos, esperamos por quase 1h mas chegamos em casa sãs, salvas e um pouco mais pobres.

“Em sua primeira paixão, a mulher ama o ser amado. Em todas as outras, tudo que ama é o amor.”

Acordou no meio da noite de repente, com vontade de chorar e gritar e atirar vidros à parede, na esperança de que os cacos de fora ocultassem os de dentro. Mas faltaram-lhe lágrimas, voz e forças. Respirou fundo, pediu a Deus paz e voltou a dormir. Não sem antes chorar por ele, uma vez mais.

Ao acordar, teve consciência do que provocou esta recaída brusca, visto que vinha tão bem: era dia dos namorados local. Todos aqueles sentimentos que estavam adormecidos, afloraram numa enxurrada de lembranças. Até mesmo seu telemóvel problemático fez questão de mostrar-lhe uma foto antiga, mas aparentando-se tão recente, de um desses momentos felizes. Engoliu o choro, não poderia sequer permitir-se esse prazer.

Por sorte já haviam recomeçado as aulas, e além disso estava a participar de um congresso. Bem a sua cara, sempre teve o hábito de afogar as mágoas nos livros. Mas não podia fugir de si para sempre. Retornou à casa ouvindo música alta, que na verdade era só um pretexto para não ouvir os próprios pensamentos.

Tentou fugir ainda uma vez mais, reclamando da sorte, da ausência das amigas que sempre comemoraram com ela este dia enquanto era solteira. De certo que comemoravam, eram as festas juninas em seu lugar. Foi surpreendida pelo irmão do coração, que lembrou-lhe que acima de tudo está o amor.

Decidiu continuar firme com a tentativa de ser feliz. Encontrou uma boa companhia, e comemorou de forma agradável. Agradável até o momento em que este disse-lhe coisas que a fizeram lembrar novamente… Permitiu-se então uma lágrima, pondo a culpa no filme.

Permitiu-se não mais pensar.

Não mais. Não até a hora de voltar à cama, e refletir se sente falta dele ou do sentimento. Mais uma vez, não soube responder a si mesma. Adormeceu no alento da canção do sono de sua irmã do coração.

Aprendendo na Vivência o Real Significado das Palavras

Euforia. Platonicidade. Essas foram as centrais do carnaval.

Euforia: “é um estado de emoção plena. Uma pessoa eufórica normalmente é muito ativa e entusiasmada, ficando sempre ansiosa quando encontrada nesse estado.”

Este foi o sentimento número 1 da noite de carnaval.

Após as prévias no Bairro Alto, mais especificamente no bar Meu Eu, popularmente conhecido por “1,90” por ser este o preço do litro de cerveja, fomos para Torres Vedras para o carnaval oficial. O carnaval mais português de portugal, como eles mesmos dizem. Teve desfile de carros alegóricos, que eu particularmente achei de mal gosto, por retratar de formas obscenas a crítica à crise. Teve trio elétrico, com músicas brasileiras do tempo que eu usava fraldas. E neste momento foi a euforia, uma alegria imensa de estar ali dançando na chuva, aquelas músicas tão antigas e tão gostosas, junto com meus amigos que são o maior tesouro deste intercâmbio. Alegria que vem e que passa, diferindo de felicidade.

Ainda por cima, para marcar bem a noite, resolvi pegar um calorzinho da fritadeira de churros, e sem perceber queimei minhas asas de fada e um pouco do cabelo. Nada grave, graças ao rapaz da barraquinha que me empurrou para longe do calor (que na hora eu nem percebi que havia queimado a asa), só um chamuscadinho nas pontas do cabelo.

E o sentimento número 2, mais relacionado as reflexões existenciais:

Platonicidade: catacrese para se referir a amor platônico. “um amor à distância, que não se aproxima, não toca, não envolve. Reveste-se de fantasias e de idealização. Ocorre de maneira frequente na adolescência e em adultos jovens, principalmente nos indivíduos mais tímidos, introvertidos, que sentem uma maior dificuldade de aproximar-se do objeto de amor, por insegurança, imaturidade ou inibição do ponto de vista emocional.”

Meu coração começou a reclamar do relacionamento desprovido de sentimentos de amor ou paixão. Mas penso que preciso deixar um pouco o meu mundinho perfeito, de amores de contos de fadas. Afinal, de nada valem a ligação pelo olhar, a beleza e até o beijo, se não há a intenção de ficar junto. Vale muito mais a boa companhia, mesmo que sem o coração, mas sem me abster de todas as coisas anteriores. Afinal, como disse Dani Poeta: “mas… ñ vais deixar de curtir por causa de uma platonicidade.

Então vamos lá, continuar a tentar ser feliz. Mas ainda assim, posso me permitir uma trilha sonora bem vulgar, mas ideal. 

Malta Também é Debate. É Afeto. É Plural e Singular.

Na madrugada de 4 para 5 de fevereiro, decidimos assistir filme na casa de Isabela Moraes. O filme escolhido não agradou todos os gostos, Django. Mas rimos demais! No meio da noite, resolvemos assistir a entrevista de Marília Gabriela ao pastor Silas Malafaia, que estava bombando no facebook. A entrevista rendeu um debate caloroso em nossa malta, que é bem diversificada em religiões, opiniões e conhecimento, afinal somos cientistas sem fronteiras.

Voltamos para casa com o sol nascendo, com a capacidade de analisar, refletir e argumentar mais afinada, com um leque maior de informações a respeito das religiões dos outros e, porque não, com um maior conhecimento a respeito da própria.

A semana foi bastante corrida, com todos esses eventos sociais e o início das aulas e o período de matrícula e o planejamento para o carnaval e para o aniversário surpresa de Isabela Moraes e a expectativa para o show de O Teatro Mágico, mas no fim, tudo foi perfeito!

Consegui me matricular dentro do prazo, embora tenha tido que montar acampamento na porta do professor coordenador da Engenharia da Energia e do Ambiente.

No dia 6 acordamos (Jose e eu) cedinho, fomos à visita técnica da Matutano (Elma Chips) com a Ordem dos Engenheiros de Portugal, e nos sentimos muito engenheiras responsáveis, por acordar cedo e fazer algo útil da vida.

Conseguimos fazer a surpresa de Bela, embora tenhamos alterado os planos três vezes e decidido as 22h fazer uma festa na madrugada, concretizando a possibilidade de ela ser expulsa do prédio.

O show de TM foi lindo, como sempre. Me trouxe lembranças daquele no SESC Guaxuma, a 5 anos… Me trouxe alegria, por ter meus amigos comigo nesse momento tão raro. Me relembrou também do quanto eu mesma sou rara.
Terminamos a noite no Bairro, com as últimas comemorações do aniversário de Isabela.

Só me arrependo de não ter comprado uma camiseta do TM, pois em euros tem-se a sensação de que é bem mais barata que em reais…

A canção do momento, que diz tudo.

Da Praia à Neve, da Neve ao Carnaval

Dia 31 de janeiro decidimos fazer um piquenique na praia. A semana vinha sendo ensolarada, então fui linda de biquíni ver se tirava um pouco da minha nova cor desbotada europeia. Foi uma tarde perfeita, a malta reunida, o sol brilhante (porque por aqui ele não arde), a areia limpinha, apesar dos cachorros passeantes.

Fomos caminhando até a Boca do Inferno, uma formação rochosa que nos proporcionou um lindo por de sol.

Na volta, resolvi ser feliz e fui ao cinema assistir Os Miseráveis.

Dia seguinte acordei morta de dor de garganta, quem manda expor o pescoço à brisa do mar? Passei a sexta-feira cuidando, pois saímos na madrugada para Chelas, pois as 4:50 da madrugada estaríamos em Alameda, rumo à Serra da Estrela. Presenciamos um acidente de carro, mas graças a Deus o ônibus estava a nossa frente, então o motorista descontrolado bateu no poste. Fora isso, a viagem foi bastante tranquila, embora a elevada velocidade do vento na Serra não tenha permitido brincadeiras com a neve.

O nome da Serra é proveniente da estória de um pastor que vivia muito solitário, tendo apenas a companhia de seu cão, e olhava sempre para o céu desejando viajar. Um dia, uma estrela desceu do céu dizendo-se enviada por Deus para guiá-lo em sua viagem. A viagem foi longa, o cão morreu, mas o pastor e sua estrela chegaram ao destino, que era a “serra mais alta” de Portugal.

Depois da Serra paramos em Folgosinho, onde almoçamos toda a fauna portuguesa: Feijoada de javali, arroz com vitela, arroz de coelho a cabidela, leitão com batata doce frita e cabrito. De sobremesa, creme de natas, arroz doce, doce de abóbora com queijo fresco… Subimos ao castelo, tiramos lindas fotos e voltamos para casa.

Voltamos para sair de novo para o pré carnaval no Bairro Alto, mais precisamente no 1,90. Resumindo a noite: louca.

Resumindo o fim de semana: perfeito.

Pondo Motivos Pessoais Acima dos Profissionais

Acabou janeiro.

Nele morri e renasci. Me vejo hoje com valores completamente diferentes, com amigos que nunca imaginei fazer, com experiências que nunca nem pensei em viver. Como diz a minha Malta: “Realizando sonhos que nem sabia que tinha.”

Não sei se é jogada política, mas sei que este é o primeiro ano de CSF e é o Ano do Brasil em Portugal. Graças a este, estou tendo a oportunidade de ver concertos (shows) de artistas brasileiros que nem sonhava de ver em casa, pelo preço ou mesmo por falta de interesse. Sim, os bilhetes (ingressos) cabem no bolso (10€) e tenho transporte fácil até o local, então tudo facilita. Acima da cultura portuguesa, estou aprendendo muito é de cultura brasileira, com a convivência com meus amigos de todos os estados e com esses pequenos eventos.

O semestre que findou não foi muito produtivo na questão de estudos, tinha um ritmo bem mais intenso na UFAL, mas isto também me serve de lição para correr atrás e me virar sozinha, se quiser aprender, e a dar muito mais valor à minha instituição de ensino.

Ampliei meus horizontes, visitei (e moro) em lugares histórica e turisticamente importantes. É uma sensação muito engraçadinha assistir a um filme cujo cenário é o Palácio de Versalhes, por exemplo, e pensar: ain, eu já fui aí!

Continuo sendo uma princesa. Continuo acreditando que encontrarei um príncipe, que não será perfeito, mas pelo qual terei amor e paixão mútua, mas também estou começando a aceitar a teoria de meu amigo Marcos Leonardo, de que “para encontrar uma pessoa excepcional, é preciso conhecer muitas pessoas comuns”.

Sim, continuo sendo completada e refeita com partes de meus amigos. Por isso transcrevo a declaração de uma das minhas melhores deste lado do mar: “E então, praticamente cinco meses, e a vida já é outra. Seus conceitos, perspectivas, objetivos. Conviver e compartilhar experiências com aquelas pessoas que nunca pensou que iria conviver. Viver os momentos que sonhou, mas que achava um tanto impossível de realizar. Eu estou vivendo o meu sonho, estou construindo a minha vida. E me tornando uma pessoa melhor. É triste não poder partilhar tudo com quem se ama, não ter por perto, algumas pessoas que são extremamente importantes, mas isso foi um dos aprendizados, a vida é assim. E esses fatores são essenciais para o crescimento. Continuo amando onde eu vim. Continuo amando as pessoas que amava antes de vir pra cá. Mas amo também, a pessoa que estou me tornando, a vida que estou a cada dia construindo. Ninguém pode, nem mesmo eu, descrever por completo a sensação desta experiência. É mérito. É fé. É um sonho.”  Isabela Moraes.