Mulher no Brasil

Em agosto do ano passado, li um livrinho mais ou menos mas q tinha este texto bem marcante. Resolvi guardá-lo para publicar nesse dia especial, q em todas as mídias se fala das mulheres e suas conquistas (graças as quais eu serei engenheira e salvarei o mundo :p), mas q raramente recordam a realidade triste q muitas delas ainda vivem.

"Você sabe como é se sentir uma garota no mundo de hoje?
Na rua, somos cantadas, em casa, somos reprimidas. Querem-nos belas, mas nos agridem se tentamos. Somos violentadas sob a capa do afeto. Parece discurso feminista, eu sei. Mas não há como evitar: ser menina é um problema. Mais um. Principalmente, para as meninas que nascem aqui no Brasil, um país onde a mulher, além da obrigação de ser bonita, tem a obrigação de ser a dona da alegria. Aqui, mulher tem que fazer comida e fazer charme. Tem que ter coragem e bunda. Tem que saber sambar e saber o seu lugar. Uma barbárie. Aposto que você nunca tinha pensado sobre isso, tinha? Nenhum homem pensa. Eu penso. Sobre como nos querem festivas e subjugadas. Efusivas e caladas. Dadas e reservadas. O Brasil é macho, muito macho. É o pau-brasil, o bumba-meu-boi, o saci-pererê, o berimbau, o futebol e o Surpreso a quatro. E as meninas brasileiras são criadas para seguirem em frente sem perceber o quanto são ridicularizadas. Aqui é pior que na China, na Ìndia, países onde as mulheres são oficialmente inferiorizadas. Aqui, se disfarça. Somos enganadas, levadas a crer que ser menina é isso mesmo: tomar na Surpreso sorrindo. Metáfora demais? Não, nem é metáfora.
Seja uma menina no Brasil, e nada ao seu redor fará com quem você se ache um indivíduo necessário."

O texto de Fernanda Young é complementado por este artigo, retirado de um site:
"Tanya Gold publicou no The Guardian que a diferença entre a recepção hostil a Susan Boyle e outras impressões mais equilibrados na primeira apresentação, como sobre Paul Potts, refletem a expectativa da sociedade de que uma mulher deve ser bela e talentosa, não sendo o mesmo requisito para os homens. Já Mary Elizabeth Williams declarou no Salon.com
que Susan fez lembrar as pessoas de que "nem todas as mulheres de
quarenta anos são magras, produtos de plásticas", passando a afirmar
que a fama repentina de Susan Boyle vem da habilidade de ressaltar isso a
todos, que como nós ela é normal, tem seus defeitos e é frágil,
suscetível à tristeza e preconceitos, mas que apesar de tudo insiste na
busca pelos seus sonhos."