Caiu do Céu

Quem tá solteira só homenageia a data no fim de semana…
 
– Muito bem, estagiário. Vamos ver o que temos para hoje.
– Er… sêo Santo? Eu já pedi, fico até sem graça de falar de novo, mas será que dava para o senhor parar de me chamar de “estagiário”? Meu nome é Haziel e eu sou um querubim. Só tô aqui quebrando um galho, cobrindo férias…
– Tá, tá, tá. Me passa logo os pedidos de hoje, Hariel.
– É Haziel.
– Foi o que eu disse.
[suspiro]

– Bom, Antônio, temos aqui…
– Para você é Santo Antônio. Graças a essa relaxação dos costumes morais as coisas estão no pé em que estão. Onde já se viu, um mero estagiário dirigindo-se a mim como se fosse o contínuo colega dele?
– Ai, Chefe, dai-me paciência…
– Como?
– Nada, estava levando um papinho com o Chefe.
– Eu sou o chefe.
– Estou falando do C.E.O.
– Ah.
– …
– …
– E aí, estagiário? Dá para ser ou tá difícil? Vamos ler a primeira ó-esse de hoje só amanhã?
[Nota mental: pedir transferência urgente. Parece que tinha uma vaga com Santa Edwiges] Vou, sim, Vossa Santoria. Pra já.

”Santantônio, Santantoninho. Estou tão só e precisando de um homem para chamar de meu. Não vou agüentar passar mais um Valentine’s Day by myself. Por isso, peço que atenda meu pedido logo.”

– Qual a urgência da ó-esse, Ieiaiel?
– Ela botou o senhor de ponta-cabeça, chefe…
– Ugh!
– … e dentro d’água.
– Gasp. Jesus Cristo, preciso arrumar um chamego para essa aí e é para já! O que temos disponível na lista de solteiros, Mitzrael?

– Então…
– Ih. Não gosto de respostas começadas com “então”. Ainda mais quando você bota as mãozinhas para trás e começa a riscar o chão com a ponta do pé. Vai, desembucha.
– É que eu estive sem tempo, porque o senhor sabe, estou aqui cobrindo férias, mas continuo com as minhas obrigações no Querubinato…
– Sei. Prossiga.
– … e aí, outro dia eu estava saindo daqui no maior corre, porque tinha que bater o cartão lá no meu outro de-pê, e o senhor sabe, três atrasos a gente perde a cesta…
– Arrã. E?…
– … foi então que eu derrubei o arquivo dos bachelors
– Dos quê?
Bé-che-lors. Solteiros. O senhor não fala inglês, não?
– Filho, na minha época isso não era pré-requisito.
– Enfim, eu derrubei o arquivo e as fichas ficaram todas bagunçadas. A classificação meritória foi para as cucuias, chefe, e eu ainda não tive tempo de arrumar.
– P*taquepariu, Manakel! Agora f*deu.
– Shhh, chefe! Não fala palavrão, senão Deus te f*de.

– E precisa?! Eu estou lá de ponta-cabeça e afogando, Nithael! E sem as fichas de mérito dos solteiros disponíveis!
– Bom, chefe, o senhor sabe… o que não tem remédio, remediado está.
– Não me venha com essa filosofia de boteco, fiote. É você que está lá afogando com os pés para cima, que nem um saracura mergulhada? Não, né? Quer saber?
– Quero, chefe.
– Era uma pergunta retórica, imbecil.
– Desculpa, chefe.
– O fato é que eu vou arrumar qualquer um para essa aí. Ninguém manda me pressionar e não pedir direito. Pediu “um homem para chamar de seu”, não foi? Apelou com a minha imagem, não foi? Então, vou pegar qualquer ficha aqui…

[Enfia a mão no arquivo e tira um papel meio amassado]

– Pronto, taí, minha filha: Bobby Brown! Pode mandar esse aqui para ela, Ayel. E quero ver vir reclamar depois.

Clara McFly

Sete Faces

Por Alexandre Inagaki

Amar é jogar os dados na mesa.
Uns querem apenas amizade.
Outros, sexo.
Alguns entram para o mosteiro.
Amar emburrece. Não amar também.

Amar é sangrar uma torrente
de formigas vermelhas e raivosas.
Pois apaixonar-se
é construir uma imagem da pessoa amada
sem avisá-la antes.

Amar é mito.
Mito é aquela mulher que nunca se entregará para você.
E se o fizesse, não aconteceria nada,
porque na hora H você broxaria.

Amar platonicamente
é amar apenas do pescoço para cima:
que desperdício!

Amar sem ser amado
é combate sem tréguas.
Coiote apaixonado
perseguindo o papa-léguas.

Amar fragiliza
Mais do que eu gostaria de sentir
Mais do que eu me permitiria
Admitir.

Amar é renunciar
a muitas coisas,
mas também a maior transcendência
que podemos almejar
nesta vida.

Amar não é bicho de sete cabeças;
no mínimo, tem umas sete mil.

Nunca na História desse País…

 

 Ministro japonês envolvido em escândalo de corrupção comete suicídio

O ministro japonês da Agricultura, Toshikatsu Matsuoka, envolvido em um escândalo de corrupção, cometeu suicídio. Matsuoka se matou algumas horas antes de uma sessão no Parlamento na qual deveria apresentar explicações para as acusações feitas contra ele.

***

Já pensou se a moda pega no Brasil? O presidente Lula iria criar um novo PAC.

 

 

 

 

Programa de Aceleração dos Cemitérios. 

Fonte: Jacaré Banguela