Sinais de Fogo

Preta Gil, Ana carolina e Totonho Villeroy
Quando você me vê eu vejo acender
Outra vez aquela chama
Então pra que se esconder você deve saber
O quanto me ama…

Que distancia vai guardar nossa saudade
Que lugar vou te encontrar de novo
Fazer sinais de fogo
Pra você me ver…

Quando eu te vi, que te conheci
Não quis acreditar na solidão
E nem demais em nós dois
Pra não encanar…

Eu me arrumo, eu me enfeito, eu me ajeito
Eu interrogo meu espelho
Espelho que eu me olho
Pra você me ver…

Porque você não olha cara a cara
Fica nesse passa não passa
O que te falta é coragem…

Foi atrás de mim na Guanabara
Eu te procurando pela Lapa
Nós perdemos a viagem…

E quando você me vê eu vejo acender
Outra vez aquela chama
Então pra que se esconder você deve saber
O quanto me ama…
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E o Mau-humor Invade a Avenida

“Essa é a Rainha de Bateria da Viradouro, Juliana Paes! Juliana é um dos destaques da noite e promete evoluções inovadoras na passarela”.
Humft. Essa aí foi aquela que ficou pelada na Playboy e depois todo mundo viu que ela tinha celulite, né? Agora voltaram a achar a menina gostosa? Gente incoerente. Eu acho que ela tem boca de caçapa. E, se saísse ali na Rua Direita, achava umas vinte mocinhas iguais… Ó, nem sambar samba, só sacode esses penachos que nem um pavão bêbado!

* * * * * *

“Aí vão os famosos, chegando para brincar o Carnaval nos camarotes… Ali Rodrigo Santoro com a namorada, mais à frente Regina Duarte com o marido. Daniella Cicarelli chega nesse momento, ela que é a convidada de honra da festa”.
Vê se pode: essa gente faz de tudo pra aparecer. O Santoro tá com cara de saco mais cheio que Papai Noel com caxumba descida; Regina Duarte parece gostar tanto de Carnaval quanto de encontrar duas aranhas dentro da sua meia-calça. E essa Cicarelli? Dizem que ela “se reinventa e volta à fama”… Deu pro moço na praia! Isso não é reinventar nada, pô, é só sacanagem mesmo!

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“Beth Carvalho chora. Ao que parece, desavenças com a diretoria da escola de samba Mangueira tiraram a cantora do carro alegórico mais importante, o da Velha Guarda”.
Quem mandou ser chata com fãs e imprensa por cinqüenta anos? Tome.

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“Um problema aqui na concentração do desfile da Império Serrano! Um homem quer entrar para desfilar mas está sem parte da fantasia e aparentemente alterado! Ele briga com os policiais e seguranças… E aquela moça ali parece ser da família, vamos falar com ela:
– ‘Ele faz parte da escola, ele vai desfilar?’
– ‘Ele é meu irmão, moço, ele vai desfilar sim, tá no lugar do meu marido que passou mal! E ele não tá bêbado, eu juro!’”
Tá bêbado, não. Ele só deve ter virado sete caipirinhas de kiwi com álcool combustível… Ó a situação do cara, quer bater no policial e cai pra cima das passistas! Eu digo, esse negócio de Carnaval só dá manguaça.

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“Flash do Carnaval de Salvador! A folia aqui não tem hora pra acabar! Ivete Sangalo acaba de trocar a fantasia e agora vem com um maiô que levanta a galera e faz todo mundo pular! É a Rede Globo, Carnaval 2007!”
Se eu fosse repórter nessa época do ano, mastigava minha própria perna só pra não ter que cobrir essa zorra de Carnaval. Coitada da menina, estão arrancando o microfone dela com tapas! Ui! Pronto, agora passaram a mão na pobre. Talvez tenham levado a carteira também, que aquele playboy de abadá ali atrás tinha uma cara de bandido…

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“Esta porta-bandeira é a Giovana, filha da Dona Nininha e do Seo Dodó, fundadores da escola. A Giovana ensaiou a vida toda com gente do calibre de Antenor Maia e Solange, daí o samba sempre no pé”.
Mas, hein?

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“Agora um giro carnavalesco por Bahia, Recife, Olinda, na Sapucaí e pelos blocos que estão começando a sair em São Paulo!”
Pelo amor de Momo, só falam nisso. Eu é que vou dar um giro aqui nos canais e… pronto, vou ver Celebrity Poker Showdown e depois voltar na reprise de “Horror em Amityville”. Taí, isso é que é Carnaval. Em quesito mau-humor e despeito por não viajar, sou 10, nota 10!

Juliana.jpg
Bruxa, feia, chata e boba

 

A Alma de Cada Coisa

Se todos nós temos mesmo uma alma, ninguém pode dizer com certeza absoluta. Exceto, claro, aqueles que passaram por experiência de quase-morte, pairando pela sala e vendo seu corpinho jazer assustadoramente logo ali abaixo, para depois voltar a si e contar tudo num livro e… Bom, isso é outro assunto. Alma mesmo, ali, com foto no jornal e certificado de propriedade, ninguém tem. Mas não precisa todo esse rigor, certo? Alma não se pode ver ou tocar, mas se pode sentir. E, por esse ponto de vista, tudo tem alma – desde um vaso de margaridas até um velho chapéu de feltro.
Para ver, basta parar um segundo. Ao entrar em uma casa, por exemplo. Existem aquelas simples, com bibelôs por todo canto, móveis e eletrodomésticos comuns, sapatos encostados no cantinho, fotos em exposição. Existem outras sóbrias, sisudas, com sofás de couro preto, tapete imaculado, paredes brancas como a neve, onde parece que nem os pernilongos têm permissão de voar. Duas almas completamente diferentes, que a gente sente ao botar o primeiro pé pra dentro.
Não tem muita explicação, mas posso jurar que existe alma em cada objeto inanimado – se a gente decidir mesmo senti-la. Livros são assim: às vezes têm marcas de amassado, orelhas carcomidas, cheiro de armário, anotações aleatórias a lápis, uma dedicatória. São livros que ganharam alma de tanto passar de mão em mão e, possivelmente, adquirir as manias de seus usuários.
E carros, então? Fusca tem alma bondosa; populares têm alma jovem; sedã tem alma de tiozão; perua tem alma de mamãe; utilitários cheios de comandos que foram feitos para off-road mas só circulam na cidade têm a alma de um playboy safado, limitado e que está pouco se lixando para o resto do mundo. E aquele gigantesco Hummer? Bom, esse não tem alma, só espírito. De porco.
Feiras de antiguidades e quinquilharias em geral são a maior concentração de almas. É intrigante parar em frente à barraca das louças e ver aqueles lindos jogos de pratos com friso dourado, coisa que não se faz mais. Tudo bem, o conjunto branco de florzinhas recém-comprado na loja tem lá sua alma fresca, juvenil, mas os pratos antigos… Só eles vêm com a carga moral de uma senhora de 85 anos, que cuidou de cada um, lavou, guardou na cristaleira e serviu com eles os mais simpáticos jantares.
Roupa também tem alma, sabe? Tanto é que, dependendo da peça escolhida pela manhã, o dia pode ter um destino ou outro. O vestido leve, colorido e esvoaçante passa às pessoas impressão de alegria total – e pode contar que metade do escritório vai parar a mocinha no corredor e dizer “nossa, tá feliz hoje, hein?”. O casacão preto dá idéia contrária, mas com elegância. Terno tem aquela alma grave, mas bastou tirar o paletó e mostrar a camisa branca com gravata vermelha, já anima.
Vá por mim, tudo tudo tudo tem lá sua alma escondida. O refrigerante lotado de gelo tem alma divertida, quase infantil, assim como o suco de laranja tem uma alma ainda descontraída, só que mais adulta.
Bonecas de pano tem alma doce, armários de madeira tem alma altiva, cachorros da raça pequinês têm alma maquiavélica – mas alguns podem ser mimados durante vinte anos e superar esse carma, virando afinal uma boa alma.
Feijoada tem alma gorda, mesmo que a gente coma só um pouquinho, e pizza tem a alma congregadora. Cobertor tem alma solitária, colcha de piquet tem alma antiquada, edredons têm uma alma preguiçosa e vagabunda (no bom sentido). Pipoca tem alma festiva, abajur tem alma romântica, lanterna tem alma sarrista.
Como não se pode provar muito sobre a alma de cada coisa, dou aqui minha opinião: cada indivíduo a vê de um modo diferente, o que torna a coisa ainda mais encantadora. Vaso de margaridas e velhos chapéus de feltro? Amigáveis e saudosos. Basta parar, notar e sentir.
 
Flá Wonka, Garotas que dizem ni.